As denúncias de moradores de Itacaré, no sul da Bahia, contra turistas israelenses ganharam repercussão nacional após manifestações de artistas, jornalistas e políticos nas redes sociais.
O caso, que envolve acusações de racismo, intimidação, agressões e desrespeito à população local, passou a mobilizar figuras públicas que cobram providências do governo federal e medidas para impedir a entrada de estrangeiros envolvidos em crimes de guerra e violações de direitos humanos.
Um dos destaques da mobilização foi uma publicação conjunta do ator e diretor Álamo Facó com a atriz Luana Piovani.
Na mensagem, Facó cobrou posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do Ministério das Relações Exteriores diante das denúncias envolvendo grupos de turistas israelenses na região.
O artista defendeu a criação de mecanismos legais para impedir a entrada no Brasil de pessoas que tenham participado de operações militares relacionadas ao genocídio em Gaza.
Também questionou a possibilidade de aquisição de propriedades por estrangeiros e criticou os relatos de desrespeito às regras de convivência em espaços públicos, incluindo festas com música em volume elevado e descarte irregular de lixo nas praias.
“É preciso proibir a entrada de israelenses que estiveram ou ainda estão envolvidos com o genocídio em Gaza”, escreveu Facó.
Na publicação, o ator também questionou a atuação do governo brasileiro diante das denúncias e cobrou uma resposta institucional. A postagem alcançou dezenas de milhares de curtidas e ampliou a visibilidade do caso nas redes sociais.
Confira publicação:
Jornalistas e políticos também cobram providências
O jornalista Breno Altman também se manifestou sobre os episódios em uma publicação na rede social X, antigo Twitter.
Ele defendeu a adoção de medidas diplomáticas mais rigorosas, incluindo a exigência de vistos para cidadãos israelenses e a recusa de entrada de pessoas que tenham servido às Forças Armadas de Israel após 7 de outubro de 2023.
“Exigem medidas imediatas do governo as seguidas violações e abusos cometidos por ex-soldados israelenses em Itacaré e Morro de São Paulo, na Bahia”, escreveu Altman. Para o jornalista, a adoção dessas restrições seria uma resposta necessária diante das denúncias apresentadas por moradores e trabalhadores do turismo.
Veja post:
Exigem medidas imediatas do governo as seguidas violações e abusos cometidos por ex-soldados israelenses em Itacaré e Morro de São Paulo, na Bahia. O Brasil deve passar a exigir vistos de israelenses e negá-los a quem tenha servido no exército sionista depois de 7 de outubro de 2023. Isso é o mínimo!
— Breno Altman (@brealt) November 7, 2026
O deputado federal eleito por Pernambuco Jones Manoel (PSOL) também repercutiu o caso e manifestou solidariedade à população de Itacaré.
Em sua publicação, ele destacou as denúncias de racismo, agressões e intimidação atribuídas a turistas israelenses, incluindo pessoas apontadas como ex-integrantes das Forças Armadas de Israel.
O parlamentar também mencionou o episódio envolvendo um mural produzido coletivamente por moradores e artistas em solidariedade ao povo palestino. Segundo as denúncias, um grupo de turistas teria tentado destruir a intervenção, provocando a reação de pessoas que estavam no local para proteger a manifestação artística. Posteriormente, o mural acabou sendo apagado.
Jones Manoel cobrou a investigação dos episódios e a responsabilização dos envolvidos caso sejam comprovadas irregularidades. Também ressaltou que a nacionalidade dos visitantes não os coloca acima das leis brasileiras.
“Nenhum turista, independentemente de sua nacionalidade, está acima das leis brasileiras e da soberania do Brasil”, afirmou.
Veja post:
Denúncias ampliam debate sobre soberania e turismo
A repercussão nacional ocorre após uma série de denúncias de moradores, comerciantes e trabalhadores do turismo sobre conflitos envolvendo grupos de visitantes israelenses em Itacaré e outras localidades do litoral baiano.
Entre os relatos divulgados estão acusações de comportamentos racistas, ameaças, assédio contra mulheres, depredação do patrimônio público e desrespeito às normas de convivência em espaços coletivos.
Denúncias contra turistas israelenses geram tensão no sul da Bahia
Também há questionamentos sobre a presença de ex-militares israelenses na região e os possíveis impactos dessa movimentação sobre as comunidades locais.
O caso ganhou ainda mais visibilidade após a Prefeitura de Itacaré publicar uma nota afirmando que o episódio envolvendo o mural ocorreu em um imóvel particular e que o município não tinha participação no conflito.
A manifestação provocou críticas de ativistas e moradores, que consideraram insuficiente a resposta da administração municipal.
Com a adesão de artistas, jornalistas e representantes políticos, as denúncias ultrapassaram o debate local e passaram a envolver questões diplomáticas, direitos humanos, soberania nacional e responsabilidade do Estado brasileiro na fiscalização da entrada e permanência de estrangeiros no país.







