O colapso da saúde pública em Alagoas também chega ao Hospital Regional da Mata, em União dos Palmares. Alguns serviços de urgência e emergência estão comprometidos. Há relatos de atendimentos feitos em outros hospitais, por ausência de serviços e/ou medicamentos.
Um funcionário disse ao Repórter Nordeste que existe preocupação com a qualidade dos atendimentos e sobrecarga de trabalho, por ausência de mão de obra.
O Repórter Nordeste aguarda posição da Secretaria Estadual de Saúde.
A rede pública de saúde de Alagoas atravessa uma crise aguda nesta primeira semana de novembro de 2026, marcada por demissões em massa, suspensão de serviços essenciais, cortes salariais e interrupção no fornecimento de alimentação para servidores.
No Hospital Geral do Estado, os sindicatos dos Enfermeiros (Sineal) e o SindPrev-AL denunciam a demissão em massa de cerca de 100 trabalhadores — incluindo enfermeiras diaristas de UTIs e profissionais de setores críticos. Segundo as entidades, os desligamentos foram comunicados por telefone, sem justificativa ou garantia imediata de verbas rescisórias.
Após um desconto de 15% nos salários de outubro dos médicos da rede estadual, profissionais começaram a entregar avisos prévios de demissão. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) reconheceu a pendência e prometeu o ressarcimento, mas ainda não definiu uma data para o pagamento.
Desde quinta-feira, 5/11, o Hospital da Mulher suspendeu os atendimentos obstétricos por falta de médicos para compor as escalas de plantão. Os casos estão sendo redirecionados pela Central de Regulação para outras unidades.
No HGE, o corte de pessoal resultou no cancelamento de cirurgias eletivas e no fechamento de uma farmácia satélite por falta de funcionários (obrigando o remanejamento da retirada de medicamentos nas alas E e F).
No SAMU e Hemoal há corte de refeições. O SindPrev-AL denunciou que o fornecimento de alimentação para os servidores durante o horário de trabalho foi suspenso no SAMU e no Hemoal. O corte estaria ocorrendo por falta de pagamento do governo aos fornecedores.
Trabalhadores também relatam condições precárias de infraestrutura, como falta de ar-condicionado em salas de descanso e refeitórios (com funcionários fazendo “vaquinha” para comprar ventiladores no SAMU-Farol), além de infiltrações e mofo no repouso do HGE. O sindicato anunciou representações junto ao Ministério Público Estadual (MPE) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT).







