Em entrevista concedida ao jornalista Glenn Greenwald para a Folha de S.Paulo, o senador Flávio Bolsonaro evitou dar detalhes sobre a logística e o financiamento de sua viagem aos Estados Unidos, afirmando que não pretende revelar quem planejou ou pagou pelo deslocamento. Questionado sobre o uso de um jato particular — já que não há registros públicos de embarque em voos comerciais —, o parlamentar manteve o sigilo e justificou a postura pelo temor de que terceiros sejam alvos de retaliações.
“Eu não vou falar isso para ninguém”, declarou Flávio logo no início da conversa, ao ser lembrado de que já havia se recusado a tratar do assunto com o The New York Times. Diante da insistência de Greenwald sobre o porquê de não prestar esclarecimentos à população brasileira, o senador afirmou: “É que eu sei que as pessoas vão ser perseguidas. O Brasil não vive uma democracia plena mais, você sabe disso”.
Apesar de não revelar os bastidores da operação, Flávio Bolsonaro garantiu que sua saída do território nacional e a entrada nos Estados Unidos ocorreram dentro da legalidade. Segundo ele, o embarque no Brasil foi feito utilizando sua carteira nacional de habilitação (CNH), enquanto a entrada em solo americano se deu com a apresentação de seu passaporte.
Sobre o momento em que decidiu deixar o país, o senador afirmou que a escolha foi tomada exclusivamente ao lado de sua esposa, sem o conhecimento prévio de outras pessoas. Ele também rebateu a cobrança sobre declarações anteriores de que permaneceria no Brasil, argumentando que o cenário eleitoral mudou suas perspectivas.
“Eu disse que não ia sair porque eu disse que ia respeitar o resultado das eleições. E olha o que eles fizeram no meio das eleições”, afirmou, acrescentando que passou a se enxergar como “a próxima vítima” de um processo que classificou como “fajuto” e “fabricado artificialmente com mentiras e narrativas” para restringir sua liberdade de manifestação e o convívio familiar.







