Vírus, medos e oráculos

Aqui de minha reconhecida insipiência diante da sabedoria da vida, reflito sobre a prática antiga de procurar oráculos que ainda persiste entre nós.

Serão os espíritos nossos oráculos?

Uma pandemia nos resgata para o imo da identidade primeva. Mostrando a lentidão dos processos formadores e transformadores em nós, espíritos eternos, agora encarnados no planeta Terra.

Quando a jornada de indiferença relativa à preservação do nosso habitat se mostrou crescente e a insensibilidade diante dos abusos e implantação da desigualdade se tornou rotina, consultamos o ego, que assentiu, silenciou, acumpliciou e pelas vias da individualidade legitimou o mal como bem.

Deus que não pune, nos instrumentalizou para os cuidados, confiando rica experiência no corpo que agora percebemos ameaçado por invisível forma.

Deus e seu sentido polimorfo nos universos mentais de cada um de nós foi transformado em juiz da partida. Assim nos relacionamos com sua Onipotência desde o despertar da consciência de pertença.

Mas as ações políticas não poderão ser creditadas na conta divinal.

Uma sociedade feita de escolhas, mesmo que em maior contingente no âmbito do desconhecimento de causas, tem suas criações em mãos, seja como auxílio e alívio, seja como temores e ansiedades.

Não há castigo. Não há punição. Somos os aprendizes de uma cosmologia negada, mas real.

O bem maior ainda é a vida, neste orbe e nos outros pelos quais haveremos de passar.

Se aqui o capitalismo doutrinou o ego e distorceu a razão, aprender aqui sobre benefícios comuns será uma forma de ir além da mera intuição, dos limites da tradição.

Haveremos de acreditar no hoje ferido pelo ontem, e no passo à frente plantaremos o mais saudável amanhã se assumirmos nossas forças interiores, movendo o limo que aprisiona consciências ao lodo.

Movimenta a pele na direção do sol e sente o calor de permutar o espaço com as vidas ao redor. Não somos apenas nós aqui. E os espíritos não são oráculos, são irmãos.

Se pudesse dizer algo em favor desta hora, por certo diria apenas cuida da vida, pois no altar das comunidades está a oferenda que mais agrada, o amor que não venceu nem perdeu, porque eternizou.

Todas as precauções são frutos do saber conquistado.

Todos os riscos podem ser superados. Vivifica a luz, que os sentimentos bons elevam a vibração, que o isolamento do corpo não separa os corações afinizados.

As regras são simples e conhecidas. Não há novo nesta casa antiga.

Há necessidades e cuidados. Mas existir é mais intenso do que sobreviver ao medo. Essa audácia é própria do amor.

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