Como envolver os filhos na nova realidade financeira da família

Por Vanessa Blum Colloca, economista na Escola de Pais XD, especialista em câmbio e mercado financeiro pela FGV e ABRACAM (Associação Brasileira de Câmbio), e diretora da Getmoney, corretora de câmbio

Não é segredo para ninguém, inclusive para os jovens, que o país está em uma crise muito grave, com comércios fechados, demissões em massa e todos preocupados em ter uma reserva de emergência. O correto seria já ter essa reserva, mas, devido à extensão da crise, até quem fez a “lição de casa” e tinha suas economias, já está prevendo o pior.

Ser organizado e se planejar são os segredos para qualquer imprevisto financeiro, como o atual. Mas antes tarde do que nunca. Primeiramente, é essencial que a família converse, contextualize e coloque tudo na mesa para que todos saibam a quantas anda a realidade financeira e o momento que estão passando.

Não tente esconder dos filhos o que acontece, pois você se surpreenderá com o quanto eles são sensíveis e, muitas vezes, vão até te dizer: “eu já sabia disso”. O momento ideal para conversar é o agora. Não vá deixando para depois e tampouco faça disso um “climão”. Isso é vida real, e os filhos precisam ter consciência desde cedo.

Como falar de dinheiro com as crianças

Faça uma reunião em família, de preferência, com os celulares de fora da roda. Pegue papel e caneta e incentive cada um a anotar ideias sobre esquema de gastos. Pensem juntos o que é impossível cortar (luz, água, comida), o que todos podem abrir mão (o melhor pacote de TV a cabo, shampoo de marca cara, comprinhas online) e o que alguém se propõe a ficar sem.

Nesta etapa, o ideal é usar exemplos reais como: se não diminuirmos as despesas com mercado, não poderemos mais pedir comida em restaurante no final de semana. Se não dispensarmos a ajudante, não poderemos mais pagar seu curso extra de inglês. A realidade, por mais dura que seja, traz conscientização, amadurecimento e responsabilidade. Futuramente, seus filhos terão mais preparo para lidar com as frustrações da vida.

Hora de pôr os planos em prática

Todo mundo pode e deve colaborar, inclusive os pequenos. Comece dividindo as tarefas, fale didaticamente como se vocês morassem em um país onde não existe ajuda em casa e cada um cuida das suas próprias coisas. A mãe ou o pai, dependendo do combinado, será quem vai inspecionar os serviços, e isso pode ser alterado a cada dois dias. Se os filhos são adolescentes, eles também terão a vez de ser inspetores.

Arrumar a cama, lavar a louça, tirar e colocar as roupas na máquina, tirar o lixo, fazer a comida (os pequenos podem começar com algo fácil como macarrão, salada, ou até pizza de pão de forma). É de extrema importância que todos sintam que estão fazendo a sua parte e ajudando, de fato. Não faça por eles, por mais que a tarefa não esteja 100% correta. É uma importante fase de adaptação, tolerância e aprendizado.

Criatividade para ganhar um dinheiro extra

Além das mudanças para economizar, você também pode incentivar seus filhos a usarem a criatividade para ganhar um dinheirinho. Publicar em site de venda aquelas coisas que ninguém usa mais, passear com o cachorro do vizinho ou vender bolos para o pessoal do condomínio.

Nessa hora, o que vale é ter ideias, conversar com as pessoas e abrir a cabeça para boas sugestões. Não há vergonha alguma em se reinventar e colaborar neste momento de fragilidade econômica. Pelo contrário. Seus filhos se sentirão úteis e orgulhosos de si mesmos, entendendo o real sentido de “família”.

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