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A escrita sobrevivente: 2021

Quando escrevi ” Caminhos da Eterna Flama” senti algo diferente, como um abraço ou um olhar de acolhida, algo tipo via de consolo em terreno árido e assim tem sido a relação com este livro.

Não é somente pensar, analisar, debater, constatar; nele há algo sutil que acaricia o coração da gente.

É assim que vou recorrer ao abrir aleatório de páginas neste final de dezembro queixoso, doente, revoltado, moribundo, vilipendiado; um cenário brasileiro no governo de Bolsonaro, um dia no qual a esperança parece oscilar e agora abri…

“Esta jornada recebe o atrativo do amor como o sentimento por excelência, mas as histórias marcadas por dramas severos atestam as imensas confusões que ainda fazemos de modo global.  Erros profundos que cometemos e por conta disso levamos adiante o entulho de injustiças que produzimos historicamente. Muitos de nós caminham em sofrimento; alguns silenciosos, outros tantos em agonias e desesperos expressos em comportamentos insurgentes.

Outros estão arredios, descrentes, desesperançados. O elemento torpe conhecido como ódio parece digladiar com nossas utopias de pacificação, mas constatamos que nem mesmo os destruidores logram vencer a vida, embora consigam ferir muitos viventes. A vida é um projeto macro que suplanta egos e vontades de mando, sobrevivendo aos tiranos de todas as estirpes!”

Encontrei estas palavras na página 58 do livro impresso.

Agora reflito no sentido que carregam e acalmo parte da revolta, organizo a respiração e por alguns tempos estarei segura dentro da minha esperança, porque para braçar nestas marés nós precisamos de força íntima.

O livro é meu amigo.

A vida é essa estrada.

Não desistir é escolha política de consequências imensas.

A escrita como instrumento de luta e resistência é território de vigor.

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