Poetizando (2) por Fernando Caldas

Descubro a mim mesmo quando sou poesia, Quando cometo o desplante de me desnudar. Sou original quando permito minhas mãos correrem no papel, Quando…

Descubro a mim mesmo quando sou poesia,
Quando cometo o desplante de me desnudar.
Sou original quando permito minhas mãos correrem no papel,
Quando sou tintas da alma, tingindo em vivas e visíveis cores, sobraçando um universo de sentires.

 

Pateticamente me desvendo nas tolices que me autorizo a mostrar, dramatizando um sofrer que não sinto,
E se sinto, desautorizo esse sentir a emergir de mim, numa contradição insana.
Necessito de poesia para respirar o ar puro das montanhas, mesmo à beira mar
ou para ver girassóis à noite, no manto estrelado do céu infinito.

 

 

 

Revendo as pegadas na areia, sou sonho do passado a profetizar novas e intangíveis marcas, inacessíveis sem o vibrar poético.
O pulsar das artérias reverbera no cérebro qual nota tangida em acordes angelicais, de mãos habilidosas, a conduzir letras e orquestrar palavras, destituindo então o vazio e decretando plenitude.

Descubro a mim mesmo quando sou poesia, livre, sem estilo, solto, desgarrado das convenções, a sobrevoar sensações indizíveis.
Sei que somente sou eu mesmo, entidade real ou fantástica quando atendo ao convite da poesia, num chamamento doce, qual flauta do deus Pan, balbuciando em meus ouvidos: vem!


E a poesia, olho d’água ou corredeira, dessedenta-me ou lança-me em vertiginosa velocidade rumo a um desconhecido eu.

Maceió 30 de dezembro de 2018.
Fernando Silva Caldas.

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