O psiquiatra Fernando Tenório, 30, tenta entender os doentes de Brasil. É uma classificação criada por ele ao pesquisar a mente dos brasileiros que vão e vêm em seus consultórios.
Alagoano, radicado no Rio, atendeu população de rua na Maré. Hoje trabalha num sindicato do setor hoteleiro e tem um consultório para atendimentos particulares.
Os doentes de Brasil buscam remédios para curar ou amenizar as suas angústias. Mas a realidade parece fabricar mais doentes.
Para ele, Bolsonaro e Hitler se encontram na perversão. E, num ambiente assim, a melancolia avança. A melancolia mexe na esperança. Um dia, porém, as pessoas vão querer mudança.
“Creio na capacidade do ser humano de não suportar o terror por muito tempo”.
“Acho que a perda da esperança, a sensação de impotência e a insegurança em relação ao futuro são os principais sintomas da doença Brasil”.
O médico vai estar na Bienal do Livro, em novembro, na capital alagoana para lançar “A Vida Amorosa dos Meus Amigos”. Antes, ele abre as veias de um país, em entrevista ao blog:
O que é o Brasil hoje?
O Brasil é um país em ebulição. Melhor dizendo, o Brasil é um país em franco desmonte para que algo novo possa nascer.
O problema é que esse algo novo está cada dia mais claro e não é nada animador.
O Brasil de hoje perde sua soberania nacional ao vender empresas estratégicas, e é ridicularizado no mercado global pelas falas do nosso presidente e por sua postura subserviente aos Estados Unidos.
O Brasil sempre teve liderança global pela questão ambiental e agora patina nas falas arrogantes e desencontradas de Bolsonaro e de seus ministros.
O Brasil de hoje é um regime quase distópico, daqueles que a gente lê em ficções.
O Brasil tem tradição de governantes que rejeitam mais ou menos o seu povo. E isso influiu e influi em todos os setores da sociedade. A doença Brasil, que você fala, começou depois da reforma trabalhista?
A doença Brasil para pretos e pobres existe desde sempre, com períodos de maior ou menor aperto.
Com o primeiro governo Lula, houve um marco de mudança nesse cenário.
O marco da esperança.
As pessoas tinham acesso a bens de consumo e uma sensação de que elas e seus filhos poderiam alcançar alguns objetivos para além de trabalhar loucamente para as elites e receber um salário de miséria.
A entrada na universidade era uma dessas janelas de oportunidade.
Com o segundo mandato da Dilma, houve um empobrecimento do país e um enfrentamento equivocado da questão econômica.
A derrubada de Dilma, num golpe parlamentarista, sem um grande enfrentamento nas ruas mostrou aos setores da burguesia nacional que a esquerda e o movimento dos trabalhadores estava em crise e sem rumo.
Esse foi o mote para que avançassem rapidamente em temas delicados para a população, apostando nessa inércia.
A reforma trabalhista foi então aprovada a toque de caixa, deixando os trabalhadores bem desprotegidos.
O governo de Jair Bolsonaro, por ter a aprovação popular, foi além da reforma e radicalizou, ampliando a questão com a tal MP da liberdade econômica e a reforma da previdência.
Prometeram ao povo mais emprego e nada disso foi visto.
O que ocorreu foi uma diminuição do custo do empregador e uma piora na qualidade do emprego.
O trabalhador, agora sem esperança, experimenta os efeitos das tais reformas. Trabalha mais e pior, ganhando menos.
Acho que a perda da esperança, a sensação de impotência e a insegurança em relação ao futuro são os principais sintomas da doença Brasil.
O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, sobrevivente de campo de concentração, insistia que o homem deveria buscar um sentido de superação na própria vida mesmo em meio a tragédias como o holocausto. O doente de Brasil perdeu este sentido?
Afirmar isso seria leviano da minha parte.
O doente de Brasil está tão estafado de sua jornada de trabalho intensa, das horas no trânsito e de tanta notícia ruim sobre o futuro que ele tem tido pouco tempo para reflexão.
Do mesmo modo que acredito nos meus pacientes em crise, acredito que o povo brasileiro não irá aguentar a situação por muito tempo e vai fazer algo com toda essa melancolia.
Encontrar um sentido para ela, tirando essa energia de dentro e colocando em energia fora como movimento e moblização.
Os chineses utilizam o mesmo símbolo para crise e oportunidade, e eu gosto dessa junção de conceitos.
Creio que durante as crises individuais e coletivas é possível que haja alguma mudança.
Creio na capacidade do ser humano de não suportar o terror por muito tempo.
O que tem me preocupado é o que sobrará de Brasil depois dessa avalanche de privatizações e a desindustrialização do país.
Se haverá condição de reerguer um país e retirá-lo de um modelo de só exportar produtos do agronegócio.
Talvez, quando essa energia surgir para se insurgir contra os bancos e grandes empresas, seja um pouco tarde.
Setores da imprensa internacional associam a ascenção de Bolsonaro 2019 a de Hitler, na Alemanha de 1934. A analogia, para pessoas como você e eu que não fomos testemunhas do nazismo, não é exagerada ?
Bolsonaro se encontra com Hitler na perversão.
Eles entendem a palavra como um instrumento de guerra.
Os dois se enxergavam como a grande solução para os problemas de seus países e isso é um perigo.
Um homem muito vaidoso com poder é capaz de coisas terríveis.
Apesar dos momentos históricos diferentes, Hitler escolheu como inimigos os judeus, os gays e os comunistas.
Bolsonaro já deixou claramente seu desacordo com as pautas dos movimentos LGBTs, não esconde o ódio à esquerda.
O mote da campanha foi que o Brasil não virasse a Venezuela.
Só que, com as posturas e medidas que tem tomado, se afasta de um governo democrático e se aproxima daquilo que ele mais criticou.
O Brasil nunca esteve tão próximo da Venezuela nesse sentido. O que tem de diferente agora são as formas de dominação. Hitler utilizou da força bruta, do terror.
O que Bolsonaro tem feito com seus adversários, pelo menos até agora, é uma perseguição por uma guerra cultural.
Utiliza da sua usina de fake news para destruir reputações e colocar pessoas no foco de seus eleitores mais conservadores e violentos.
“O que não é Deus, é estado do demônio”, disse Guimarães Rosa. Quem são os demônios do Brasil para o médico Fernando Tenório?
O demônio do Brasil é a desigualdade. É impossível pensar num novo Brasil sem partir disso como uma premissa.
Um país que tributa insanamente o pobre e dá isenção de impostos para os bancos não pode estar certo.
O que acho mais incrível disso tudo é que a classe média brasileira discute com muito fôlego os programas sociais que beneficiam os pobres, mas não se percebe atuando como capataz dos grandes senhores do baronato brasileiro.
Ninguém discute os lucros recordes dos bancos mesmo com o país vivendo um momento tão tenebroso do ponto de vista econômico.
A classe média não reflete que paga os maiores juros do mundo por um carro e coloca o Bolsa Família como o grande problema nacional.
O que me preocupa desse estado de coisas é que essas grandes crises sociais aparecem na vida privada de cada um de nós.
Não é à toa que tanta gente esteja procurando auxílio médico para tratar de problemas relacionados à mente.
O Brasil virou um sintoma e precisa de remédio. E o remédio talvez não seja o Rivotril que as pessoas estão tomando.






Respostas de 2
QUEM MAIS PRECISA DE REMÉDIO É QUEM APOIOU E APOIA O COMUNISMO E OS PRESIDENTES COMUNISTAS (LULA, DILMA E TEMER) QUE, DE TANTO QUE PREJUDICARAM O BRASIL, ESTÃO PRESOS OU EXPULSOS DA PRESIDÊNCIA.
Comunistas. Infelizmente a vontade de alguns parece que deve prevalecer sobre outros. Uns gostam de ser conservadores, outros não. Mas, e ai, qual deve ‘vencer’ na política para impor a sociedade (ditadira? fascista, comunista?). Afinal, cultura pra quem. Quem gosta de ver homens colocarndo dedo no cú do outro. Quem não gosta do comunismo, é obrigado a gostar? Com um argumento vago de que ‘é bom’. Porque é bom? É bom pra quem? Comunismo mata. A história não mente, os fatos estão ai. Mas porque insistem. A maioria vive de impostos. Ninguém tem uma profissão auto suficiente. Parace que ninguem quer se sustentar. E colocam o argumento socialista como se fosse a salvação do planeta. Simpatizantes do comunismo não se faz entender. Apenas querem impor suas ideias e interesses dependentes. Dificil. Vejo pessoas enchendo a boca falando que é Federal, PUC e o escambal. Mas dependem de impostos para viver. E nós, que pagamos por tudo. Cultura pra quem? Sindicato pra quem? Muitos querem viver no parasitismo do dinheiro fácil. E lutam politicamente por isso. Nada contra simpatizantes do comunismo. Mas vocês não se fazem entender. Todos temos o direito de sermos felizes. A democracia não é a vontade de alguns, dependendo de outros para viver. Se for assim, corta tudo. Aprecio muito a economia americana, pois, lá um pedreiro anda de BMW SUV, aqui no brazil anda de havaianas surrada e mau tem ferramentas. Olha cuba, todos sao escravos, pobres, não podem inventar, nem produzir. Porque esse tipo de “democracia” seria bom. Simpatizantes do comunismo precisam se fazer entender. Porque é bom. A maioria dos simpatizantes do comunismo depende de impostos para viver. E vão continuar lutando por isso com o argumento de pseudo democracia.