Odilon Rios
reporternordeste.com.br
O ex-deputado federal Francisco Tenório vai a juri pelo assassinato do cabo José Gonçalves da Silva Filho, crime ocorrido em 9 de maio de 1996. Tenório está preso desde fevereiro.
A ação penal de competência do júri está na 7ª Vara Criminal da Capital .
Segundo os magistrados- com base na ação movida pelo Ministério Público Estadual- o chefe da gangue fardada, o ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante- contou que cabo Gonçalves passou a trabalhar para o deputado João Beltrão- que está foragido e com ordem de prisão do Tribunal de Justiça- “praticando todo tipo de crime”, a mando de Beltrão.
Cabo Gonçalves fazia parte da “turma do João Beltrão”, em Coruripe.
Após sofrer um atentado, Gonçalves passou a trabalhar para Francisco Tenório. O que não agradou Cavalcante- era chamado de “desafeto” do ex-tenente-coronel.
Manoel Cavalcante passou a contactar com o presidente da Assembleia- na época- o deputado Antônio Albuquerque “com o escopo de solucionar aquele impasse, pois segundo João Beltrão o Cabo Gonçalves estaria vindo para Alagoas para assassiná-lo”.
Na fazenda de Antonio Albuquerque, no município de Limoeiro de Anadia, foi articulada a morte de cabo Gonçalves, como descreve Manoel Cavalcante:
“Por sua vez, Antônio Albuquerque, detentor de grande influência em nosso Estado, resolveu articular uma reunião em sua residência, localizada na cidade de Limoeiro de Anadia, onde ficou acertado a execução do Cabo Gonçalves, que seria atraído para a armadilha armada por Francisco Tenório e entregue para seu inimigo João Beltrão”.
“No dia do fato, como era de costume, o Cabo Gonçalves se dirigiu até a residência de Francisco Tenório, onde recebeu um ‘vale’ para abastecer seu veículo no Auto Posto Veloz, localizado na ‘Via Expressa’, tendo este, incontinente, comunicado a João Beltrão o fato e o local para onde estava se dirigindo a vítima, com o intuito de que João Beltrão executasse seu plano, sendo assim feito”.
“Ao chegar no Auto Posto Veloz para abastecer seu automóvel, os denunciados Paulo Ney de Moraes, Jaires da Silva Santos, vulgo ‘Jairo’, Valdomiro dos Santos Barros, vulgo ‘Cabo Barros’, Talvanes Luiz da Silva, vulgo ‘Talvanes’, Eufrásio Tenório Dantas, vulgo ‘Cutita’, Daniel da Silva Sobrinho, Marcos Antônio Cavalcante e José Luiz da Silva Filho, vulgo ‘Silva Filho’, todos utilizando armas de fogo, obedecendo as ordens do Deputado estadual João Beltrão, surpreenderam a vítima com vários disparos, sem que lhe fosse dada qualquer oportunidade de defesa, sendo que o Ex-Tenente Coronel da PM Manoel Francisco Cavalcante ficou em seu veículo, prestando auxílio aos executores.(…)”.
“que o Silva Filho distribuiu as tarefas dos integrantes da equipe e quem iria atirar seria o Jairo, Cutita e o cabo João Fuba; que todos se deslocaram para o posto Veloz;
“Que nesse intervalo o Dep. Francisco Tenório ficava em contato com o Dep. João Beltrão, e este em contato permanente, através de celular, com o Silva Filho;
“quando chegaram ao Posto o depoente ficou na loja de conveniências com o Sargento Talvanes e o Daniel, já nas bombas ficaram o Cutita o Jairo e João Fuba; que a vítima Cabo Gonçalves sempre abastecia no Posto Veloz à mando de Chico Tenório;
“Que Chico Tenório e João Beltrão armaram um esquema para matar o Cabo Gonçalves quando este estivesse abastecendo no Posto Veloz;
“Que quando o depoente estava lanchando dentro da loja de conveniências o Cabo Gonçalves encostou o carro que dirigia;
“que o Cutita, o Jairo e o João Fuba se dirigiram para o veículo, partindo da primeira bomba de combustível;
“que o Jairo, que é um excelente atirador e o Cutita, atiraram pela porta do motorista, já o João Fuba, pelo vidro dianteiro;
“que quando eles pararam de atirar, saíram correndo do posto de conveniência o Daniel e o Talvanes e passaram a atirar na porta do passageiro, oportunidade em que o depoente, juntamente com o Silva Filho, correram para os carros, que a ordem do dep. Chico Tenório era para levar o corpo da vítima e o João fuba queria atender à determinação do deputado, porém o declarante, como ficou nervoso na hora foi para o carro, o Cutita se deslocou até o carro onde se encontrava o depoente;
“que o Silva Filho saiu com Daniel e Talvanes e o João Fuba saiu com o Jairo(…); que no momento da execução o Dep. João Beltrão não se encontrava no posto, ficou aguardando “a gente” na casa do tenente Silva Filho; que após o crime, todos foram para a casa do Silva Filho e comemoraram(…)”.
A data para o julgamento de Francisco Tenório ainda não está definida.







