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Os nelore de Arthur Lira são mais importantes que o colapso do Ifal e da Ufal

Um dos maiores criadores de gado nelore do Brasil se chama Arthur Lira (PP), atual presidente da Câmara dos Deputados, defensor incondicional de Jair Bolsonaro, tanto que avisou ao presidente da República que 100% dos pedidos de impeachment contra ele não sairão da gaveta.

Bolsonaro saudou o gesto liberando R$ 34 bilhões para obras em mais de cinco mil cidades brasileiras, o que beneficia o Centrão, de Lira, e demais aliados do Palácio do Planalto.

Em encontro da Associação Brasileira de Criadores de Zebu, a pujança financeira de Arthur Lira virou homenagem. Tanto que o título “um dos maiores criadores de nelore do Brasil” foi exibido, sem cerimônias, a céu aberto.

E entre os ricaços, como ele, Lira reclamou dos cortes no Orçamento e da obrigatoriedade de haver gastos mínimos em educação e saúde.

O séquito lirista aplaude esse país à deriva. Alagoanos, como Arthur Lira, também parecem gostar destes gestos excêntricos, fora da realidade, dentro das regras do jogo da selvageria que conduz o Brasil aos escombros.

A Universidade Federal de Alagoas e o Instituto Federal de Alagoas anunciam que o Governo Bolsonaro cortou recursos para as duas instituições em 2021. Resultado da aprovação do orçamento federal.

A tesourada de 30% no orçamento de custeio da Ufal (R$ 42 milhões) mais o bloqueio suplementar de 13,8% antes determinado pelo Ministério da Educação, diminui bolsas de extensão. E isso significa: menos gente pesquisando na universidade, menos gente buscando soluções científicas para graves problemas sociais, econômicos, sanitários, mais espaço para o engodo, os fanáticos, os canalhas.

No Ifal, o corte foi de 16,37%. O quadro orçamentário atual é menor que em 2011 e hoje o instituto oferta 110 cursos e tem quase 19 mil alunos matriculados, mais que o dobro daquela época.

O sufoco destas duas instituições revela o fracasso e a bravata da era Bolsonaro. Não merece uma nota de repúdio do alagoano Arthur Lira que, ao ser eleito presidente da Câmara, ganhou menções exóticas de jornais locais, como alguém que ajudaria Alagoas a crescer.

A pandemia escancara as prioridades da classe política brasileira. Há despreparados ocupando cargos públicos, sentados nas cadeiras dos legislativos e executivos, inoperantes que rastejam no Judiciário.

Não é o caso de Arthur Lira, espécie que aprendeu a ser o que é na Assembleia Legislativa alagoana.

Ele mesmo revelou suas prioridades como chefe do Legislativo: o mercado acima de tudo, a agenda darwinista de Paulo Guedes acima de todos, o sinal verde para o avanço sobre cargos e verbas com a mesma voracidade dos falidos herdeiros brasileiros em cima das sinecuras oferecidas logo após marechal Deodoro proclamar a República.

Enquanto isso, Lira garante sua reeleição no próximo ano, com o aceno dos amigos do Planalto e dos donos dos pastos.

Não terá dificuldade para arregimentar apoios e votos. Há catástrofes úteis e heróis sacando bulas para todos os gostos. O presidente da Câmara é um bem sucedido homem de negócios, com muitos interesses em jogo. Os criadores de nelore não me deixam mentir.

Uma resposta

  1. Refúgio seguro do bom jornalismo! Obrigado pelo trabalho comprometido com a informação e a notícia. Parabéns pelo jornalismo de alto nível !

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