O mais novo plano de segurança pode nos ajudar a viver uma nova Alagoas, só que por dentro das realidades escondidas em seu dia a dia, transformadas em fatos do cotidiano, como se o cruel tivesse de ser incorporado, à força, nas entranhas dos bons.
Os descrentes em relação ao plano não podem ser tratados- como os ventos governamentais assim o querem- como potenciais assassinos, aqueles que torcem pelo sangue jorrando nas ruas, invadindo as casas.
A não ser que se acredite que o alagoano seja uma sub-raça, destas de histórias em quadrinhos- são maus por serem maus e a explicação vem na tal maldade, esse lance do maniqueísmo comum em tempos eleitorais.
Ou o Governo queira que todos tenham opiniões únicas, destas controladas pelo poder central, velhas realidades do Nazismo, o Fascismo, o Comunismo Soviético ou o americanismo mais moderno.
Ao mais descrente comerciante da Vila Emater II, que não se permite deixar de usar as grades por causa dos assaltos; ou aos cobradores de ônibus, assustados com os neo-bábaros- a vida é vivida se escapando das mentiras. O dia a dia é pavoroso- mas a pressão para que as coisas aconteçam pode, sim, incutir um sentimento de coragem ao mais cansado de todos nós.
Daí, se o plano de segurança for apenas uma realidade imposta de fora para dentro, com a policialização da periferia, a tendência dele é o fracasso. Não por um desejo ou resistência das tais “forças do atraso” ou o “lado mau da bancada federal”.
Viu-se a polícia marchar nas ruas da Vila Emater II. O povo, porém, esteve em casa, trancado, temendo a violência oficial. Porque a relação polícia/pobreza ainda é petrificada.







