“Larguei minha carreira no futebol pelo agro”, diz jovem empreendedora durante encontro que reuniu mais de 1.300 mulheres em Alagoas

Por Assessoria

Mais de 1.300 mulheres de diferentes municípios alagoanos se reuniram nesta quarta-feira (28), em Maceió, para compartilhar experiências, ampliar conhecimentos e fortalecer sua participação no agronegócio. Integrando a programação da 76ª Expoagro, o 4º Encontro Anual das Mulheres do Agro reuniu produtoras, empreendedoras e lideranças do setor em uma iniciativa promovida pela Comissão das Mulheres do Agro, criada pelo Sistema Faeal/Senar, com o apoio do Sebrae Alagoas.

O evento aconteceu na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal) que, pela primeira vez, recebeu o encontro.

Representante de Alagoas na Comissão Nacional das Mulheres do Agro da CNA, a diretora de Administração e Finanças do Sebrae Alagoas, Juliana Almeida, reforçou a importância da união entre as mulheres para ampliar conquistas e fortalecer sua participação nos espaços de decisão.

“Liderar não é só participar de um evento. É ocupar os conselhos, fazer a nossa voz ecoar e contribuir com as decisões. E nunca podemos esquecer que uma mulher precisa levantar a outra, ajudar no que for possível. É assim que conseguimos avançar juntas”, afirmou.

Ao dar as boas-vindas às participantes, o presidente do Sistema Faeal/Senar, Álvaro Almeida, destacou a importância da presença feminina nas entidades representativas do setor, ressaltando que 13 mulheres já integram diretorias de sindicatos vinculados à Federação. “O objetivo maior é fazer com que vocês procurem suas entidades de classe, se filiem às associações e aos sindicatos e contribuam com suas ideias”, incentivou.

Já a presidente da Comissão das Mulheres do Agro de Alagoas, Morgana Tavares, destacou os resultados da Assistência Técnica e Gerencial desenvolvida pelo Senar em parceria com o Sebrae. Entre 2025 e 2026, aproximadamente 1.448 propriedades rurais geridas por mulheres receberam atendimento. A participação feminina também foi registrada em 13 das 15 cadeias produtivas acompanhadas.

“Fortalecer a mulher do agro não é apenas reconhecer o que ela já faz, é criar condições para que ela possa ir além, participar das decisões, liderar e transformar realidades”, ressaltou Morgana.

*Nova geração no agro*

Entre as participantes estava Vitória Canário, de 23 anos, que trocou a carreira no futebol pela administração de uma fábrica de processamento de mandioca, em Junqueiro, no interior de Alagoas. Ao deixar a vida em Maceió para assumir os negócios da família, a jovem deu continuidade a uma história de três gerações, iniciada nas feiras livres, onde acompanhava os pais desde os seis anos de idade.

Há dois anos à frente da Canário Alimentos, Vitória comemora os resultados, que no primeiro ano de gestão já processou aproximadamente 1,5 milhão de quilos de mandioca e, no segundo, o volume já ultrapassou 2 milhões de quilos. Especializada na produção de goma de tapioca, a fábrica emprega quase 20 pessoas diretamente e compra a produção de agricultores da região, contribuindo para a geração de renda e o fortalecimento da economia local.

“Tenho muito orgulho porque essa luta não é só minha, vem de toda a minha família. Hoje, além de levar o nosso nome adiante, conseguimos comprar a mandioca de produtores da região, pagar um preço justo e gerar emprego. São dezenas de pessoas que dependem do funcionamento da nossa empresa para sustentar suas famílias”, conta.

Participante do encontro desde a primeira edição, Vitória também conquistou o primeiro lugar na categoria Produtora Rural do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. A empreendedora destaca o acompanhamento do Sebrae em áreas como registro da marca, formalização, capacitação e inovação, fundamentais para a profissionalização da fábrica e a busca por novos mercados.

A sucessão familiar também faz parte dos planos de Karina Venancio de Lima, de 29 anos, filha de agricultores do Sertão alagoano. Técnica agrícola e estudante de Zootecnia e Administração, ela se prepara para dar continuidade à produção de mel, milho e feijão da família, enquanto desenvolve sua carreira na assistência técnica aos produtores rurais.

Karina atua pelo Senar e participa de um programa de aceleração de negócios em parceria com o Sebrae, com o objetivo de estruturar sua própria empresa de assistência técnica. Presente nas quatro edições do encontro, ela destaca a importância de compartilhar os conhecimentos adquiridos com outras empreendedoras.

“Todos os anos encontramos novos aprendizados sobre liderança, posicionamento e inovação. É um conhecimento que levamos para dentro das propriedades e que também nos permite chegar até outra mulher, que está começando seu negócio, e dar a ela a força necessária para crescer”, destaca.

*Sororidade nos negócios*

Para o superintendente do Sebrae Alagoas, Domício Silva, que também esteve presente no encontro, o fortalecimento do empreendedorismo rural feminino contribui para ampliar a autonomia econômica das produtoras e gerar oportunidades que alcançam suas famílias e comunidades.

“Apoiar esse movimento das mulheres do agro não é só incentivar ou contar histórias inspiradoras, mas, sobretudo, apoiar cada uma delas nesse papel transformador de vidas”, afirmou.

As histórias de Vitória e Karina refletem um movimento que vem ganhando espaço no agronegócio alagoano. Segundo o Censo Agropecuário de 2017, cerca de 24 mil estabelecimentos rurais do estado são dirigidos por mulheres, o equivalente a 24,59% do total. Apesar dessa presença, ainda existem desafios para ampliar a participação feminina na gestão, nas entidades representativas e nos espaços de decisão do setor.

Criada em outubro de 2023, a Comissão das Mulheres do Agro de Alagoas atua para ampliar essa representatividade por meio de encontros regionais, visitas técnicas e missões de conhecimento, aproximando produtoras de diferentes cadeias produtivas. Somente em 2026, as atividades realizadas em Viçosa, São José da Tapera e Arapiraca mobilizaram cerca de 520 mulheres.

*Além da porteira*

Entre os destaques da programação, os produtores rurais e influenciadores João Castro e Eduardo Palhares, conhecidos como Primos Agro, mostraram como as redes sociais podem contribuir para a competitividade dos pequenos negócios. Com uma abordagem descontraída, a dupla compartilhou experiências sobre produção de conteúdo, relacionamento com consumidores e estratégias para ampliar a visibilidade dos produtos rurais.

“Não é sobre todo mundo virar influenciador digital, mas sobre usar uma ferramenta que já está disponível para potencializar o negócio, divulgar o produto e vender mais. Esses encontros também são importantes porque trazem conhecimento para profissionalizar as atividades e aumentar a renda das produtoras”, explicou Eduardo Palhares.

O encontro também abriu espaço para discussões sobre apicultura, turismo rural sustentável, liderança e enfrentamento à violência contra a mulher, ampliando o debate sobre os desafios e as oportunidades que fazem parte da realidade feminina no campo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

.