Abrasel se manifesta após denúncia sobre ameaças a trabalhadores em Maceió

Reportagem exclusiva do Repórter Nordeste revelou mensagens de empresários ligados à associação com ameaças de retaliação a funcionários que votaram em Lula; entidade afirma repudiar perseguições políticas

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Alagoas divulgou uma nota pública após uma denúncia exclusiva do Repórter Nordeste revelar mensagens de empresários do setor de alimentação em Maceió com ameaças de retaliação a trabalhadores que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As conversas, compartilhadas em um grupo com cerca de 600 integrantes, também contêm ataques a direitos trabalhistas, críticas a beneficiários de programas sociais e sugestões de expulsão de empresários identificados como eleitores de Lula.

Na manifestação, publicada nas redes sociais, a Abrasel Alagoas afirmou que não produziu, divulgou ou apoia listas que identificam estabelecimentos comerciais pela suposta posição política de seus proprietários e incentivam boicotes.

A entidade também repudiou ameaças, perseguições e violência motivadas por divergências políticas.

A nota foi divulgada depois que o Repórter Nordeste publicou a denúncia sobre as mensagens trocadas no grupo ligado à associação.

O material revelou manifestações de empresários insatisfeitos com o resultado da eleição presidencial e propostas de represálias contra funcionários e outros empreendedores por suas posições políticas.

Mensagens mencionam descontos na alimentação de funcionários

Entre as mensagens reveladas pela reportagem, um participante do grupo sugeriu descontar dos trabalhadores até mesmo despesas com alimentação, em reação à vitória de Lula.

Em uma das conversas, o empresário escreveu: “vou descontar tudo até comida”.

Outros participantes demonstraram concordância com as manifestações, enquanto mensagens posteriores expressaram insatisfação com o resultado eleitoral.

O conteúdo também inclui ataques à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), críticas aos direitos trabalhistas e manifestações contrárias à redução da jornada de trabalho e ao fim da escala 6×1.

Um dos participantes ironizou os trabalhadores que cumprem cinco dias de trabalho e descansam dois, além de mencionar os feriados.

As conversas reveladas pela reportagem também expõem manifestações contrárias a férias remuneradas e a outros direitos trabalhistas, em um contexto de insatisfação de participantes do grupo com a vitória do candidato petista.

Empresários sugerem expulsão de eleitores de Lula

Outro trecho das mensagens reúne ataques a empresários que apoiaram Lula.

Um dos participantes sugeriu que empreendedores de esquerda fossem expulsos do grupo da associação e associou o posicionamento político à suposta condição de beneficiário de programas sociais.

“Por mim empresário esquerdista tinha que ser banido desse grupo”, escreveu um participante.

Na sequência, as mensagens mencionaram o Bolsa Família e o Auxílio Gás, benefícios que também foram alvo de críticas durante a discussão.

A reportagem do Repórter Nordeste descreveu as conversas como manifestações de intolerância política e preconceito, destacando a possibilidade de retaliações contra trabalhadores e empresários em razão de suas posições eleitorais.

Abrasel repudia ameaças e perseguições políticas

Após a divulgação do caso, a Abrasel Alagoas publicou uma nota assinada pelo presidente da entidade, Marcus Túllio Batalha.

No comunicado, a associação afirmou defender a liberdade de expressão, o respeito às diferentes opiniões e o direito de empresários e trabalhadores exercerem suas atividades com segurança.

“Diante da circulação de listas que identificam bares e restaurantes pela suposta posição política de seus proprietários e incentivam boicotes, reforçamos nosso compromisso com o diálogo, a democracia e o respeito”, declarou a entidade.

A associação negou envolvimento na elaboração ou divulgação dessas listas e ressaltou que bares e restaurantes são espaços de convivência, trabalho e geração de oportunidades.

Também afirmou que empresários, funcionários e suas famílias merecem respeito e segurança, independentemente de suas convicções políticas.

“Repudiamos qualquer forma de ameaça, perseguição ou violência motivada por divergências políticas”, diz outro trecho da nota.

Ao final, a entidade reiterou seu compromisso com os direitos de quem trabalha, emprega e empreende no setor de alimentação fora do lar. A manifestação, no entanto, não detalha eventuais medidas internas relacionadas às mensagens reveladas pela reportagem.

A legislação brasileira proíbe práticas de coação eleitoral e condutas discriminatórias no ambiente profissional, e eventuais ameaças ou retaliações podem ser objeto de apuração pelas autoridades competentes.

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