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Fake news sobre masturbação em creches públicas, ameaça mães solo

Quem acompanha a evolução da luta por direitos de viver com dignidade, sabe a importância das creches públicas para a vida das mulheres.

A nós, mulheres, a responsabilidade da cria não foi condicionada de agora, e se para o macho a fecundação da fêmea sempre contou como “um a mais” no currículo, para nós a gravidez modifica não apenas o corpo, mas toda uma estrutura existencial.

Não há romantismo nisso. Muitas desenvolvem transtornos ao descobrirem a gravidez, pois com ela costumam vir o desprezo e a culpabilização da mulher, que “abriu as pernas”.

A mesma sociedade que culpa pela gravidez proíbe o aborto, busca criminalizar a mulher, frise-se bem que é somente a mulher, a qualquer custo.

Muitas se tornarão responsáveis por si e pela criança mesmo sozinhas, “mães solo” é um tipo de destino punitivo, que mistura realidade, sistema de crenças e a obrigatoriedade de desenvolvimento de uma força descomunal, para sobreviver.

O que configura uma creche pública neste cenário? Configura possibilidade de trabalho e mobilidade para buscar os elementos indispensáveis à sobrevivência!

A luta travada para conquistar este direito tem sido intensa e invisibilizada. No entanto, para retirar o que já foi conquistado, a equipe da ministra Damares investe em fake news com o maior descaramento que um ministério pode apresentar.

A conversa amoral que gerou o kit gay, a mamadeira de piroca e a sexualização infantil, agora espalha vídeos sobre “masturbação para acalmar crianças nas creches públicas”.

Sim, o alvo são as creches públicas!

Qualquer leitor atônito pode confirmar a existência de tais vídeos, pois nós do blog nos recusamos a multiplicar tal inverdade, por questões de princípios.

O ministério que investe na louvação do modelo patriarcal de família, também alveja as mulheres pobres e as mães solos, para desativar creches públicas.

Se não fosse o moralismo adoecido, tal conteúdo no mínimo provocaria ojeriza, e não encontraria ensejo de justificar política pública de desmonte social. Contudo, as casas da ortodoxia estão a pleno vapor em nome de um deus separatista, misógino, homofóbico e base de uma prosperidade plutocrática, que se torna assassina, pois a miséria mata.

Denunciando e repudiando a investida das fakes news contra os interesses e necessidades das mulheres brasileiras, façamos multiplicar nossas vozes em apoio à manutenção e melhoramento dos serviços oferecidos nas creches públicas.

Uma resposta

  1. triste realidade! precisamos mesmo manter claros o poder da nossa humanidade e discernimento para

    fazer frente a esse tsunami de sub humanos que emergiram e se sentem empoderados após o golpe na democracia.

    compartilhando seu texto…

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