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Bolsonarismo se esvazia em AL, mas ainda tem Collor e Lira para aguentar pressão

Senador Fernando Collor, presidente Jair Bolsonaro e a primeira dama Michele Bolsonaro durante cerimônia de Posse do senhor Gilson Machado, Ministro de Estado do Turismo

O recuo do presidente Jair Bolsonaro após o tom golpista, misturado a ameaças, contra o STF, gerou reações entre os seus apoiadores em Alagoas.

Rivais entre si e disputando o andor eleitoral do capitão em Alagoas, o deputado Cabo Bebeto, o vereador Leonardo Dias e o policial federal Flávio Moreno unificaram os discursos: repetem que é preciso “confiar no capitão”.

O vereador Fábio Costa, presente nas manifestações de 7 de setembro, silenciou quanto a mudança de tom de Bolsonaro. As manifestações do 7 apoiavam o fechamento do STF e a implantação de uma ditadura.

É provável que nos próximos dias Fábio Costa mude de ideia e possa ajustar seu discurso bélico aos propósitos do mandachuva do Palácio do Planalto.

Porque na frente de todos eles existe a urna eletrônica e principalmente os votos de Maceió. É preciso adotar táticas de sobrevivência na política.

Em 2018, Bolsonaro ganhou as eleições nas capitais, menos em Aracaju e Recife. No segundo turno em Maceió, teve 61,63% dos votos.

Bebeto foi o mais votado parlamentar estadual em Maceió, nas eleições de 2018; Fábio Costa o mais votado vereador da capital, ano passado.

Flávio Moreno obteve 142.757 votos em Alagoas na disputa ao Senado, em 2018. 10% destes votos (76.821) em Maceió.

Ano passado, para vereador em Maceió, obteve escassos 3.459 votos.

O fenômeno Bolsonaro está esvaziando. E o alerta veio mais cedo para Flávio Moreno.

Cabo Bebeto enfrenta grandes dificuldades na reeleição e terá de recorrer a um expediente manjado: Fábio Costa será candidato a deputado federal ou senador, numa estratégia siamesa: onde um estiver, o outro vai acompanhar.

O bolsonarismo alagoano ainda é um fenômeno exclusivo da capital. A manifestação de 7 de setembro foi prova disso.

A maior dificuldade é quebrar os muros de Maceió, se espalhar pelo interior e manter as bases funcionando. O que até hoje não aconteceu.

Em 2018, Bolsonaro venceu em Maragogi, Paripueira, Satuba, Marechal Deodoro, São Miguel dos Campos, Barra de São Miguel e Coruripe.

Maragogi tem rádios vinculadas ao ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, repetindo os feitos do capitão.

Em Coruripe, a família Beltrão é dividida mas filiada a partidos da base do presidente da República: o PP e o PSD. Mas, tanto o prefeito Marcelo quanto o deputado federal Marx evitam, ao menos constantemente, se associarem a Bolsonaro.

É o que também acontece em Paripueira. A deputada Cibele Moura, cujo pai é o prefeito Abrahão Moura, escolheu o silêncio na Assembleia, de olho na reeleição. Bolsonaro foi um rio que já passou.

Lembrando que o jogo está sendo jogado. E os dados continuam rolando. Com menos torcedores pró-Bolsonaro, mas ainda ativos.

É o caso do senador Fernando Collor.

A Organização Arnon de Mello, de Collor, deu amplo destaque aos que apoiavam a instabilidade institucional. A proposta dos meios de comunicação delle era mostrar a fidelidade do senador para além dos discursos e das fotos ou vídeos nas redes sociais.

Collor busca a reeleição. E prega sua imagem a de Bolsonaro. Seu principal rival é o governador Renan Filho, mais próximo do ex-presidente Lula, que lidera os números da corrida presidencial, com chances de levar o pleito logo no 1o turno.

Collor não endossa, ao menos publicamente, as críticas de Bolsonaro a ministros do STF nem faz a defesa do voto impresso. Apoiadores do presidente disseminam fake news sobre a urna eletrônica, dizendo que o sistema é fraudável. Porém, não provam as acusações.

O senador anunciou com bastante antecedência que vai brigar pela reeleição, uma prática incomum na sua tática política. Em 2006, 14 anos depois de renunciar à Presidência da República, enfrentou e venceu o então governador Ronaldo Lessa numa campanha que durou 28 dias ao Senado.

4 anos depois, foram seus aliados quem anunciaram que disputaria o Governo de Alagoas. Ele próprio manteve o suspense até o último instante. Foi para as urnas combinando com Lessa, agora aliado, chegar ao segundo turno. Teotonio Vilela Filho foi reeleito.

Collor partiu para o ataque em 2014 e garantiu mais oito anos no Senado; disputou (mas desistiu) o Governo em 2018, após romper com os Calheiros. Parecia o fim da carreira política de quem se acostumou a perder e a ganhar com a mesma facilidade. Até que o fenômeno Bolsonaro garantiu ao ex-presidente seu retorno triunfal aos gabinetes mais badalados de Brasília. Quando estava no Palácio do Planalto, Collor era chamado de “grande mentiroso” e “sem moral” por Bolsonaro, então deputado federal.

Os tempos mudaram. Mas ainda permanece a fidelidade do presidente da Câmara, Arthur Lira. Ele segura os pedidos de impeachment contra Bolsonaro, garante votos do Centrão aos projetos do presidente da República e toca os negócios: é dono de alguns ministérios e bilhões de reais.

Dizem que o senador Ciro Nogueira comanda o coração do Governo; Lira, o bolso. Collor ao lado de Michel Temer são os cabeças.

Bebeto, Moreno, Dias e Costa? Na fila dos ossos. Ou as sobras deles.

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