Há um ano e cinco meses minha família está vivendo a saudade do jovem Alexystaine. Sua beleza exuberante e pleno
gosto de viver nos referencia a gravidade do trauma que sofreu no limiar da vida e a sucessão de atrocidades do sistema iníquo que o vitimou.
Sua história partida ao meio será uma parte da biografia dessa terra dominada por mentalidade espúria, representada nas esferas de poder por seres corrompidos e corporativos; coniventes com a morte.
Não permitirei que sua memória seja sepultada. Pois que ela trará a marca do sangue que avermelha as mãos das instituições alagoanas frouxamente dirigidas por atitudes covardes.
Não, ele não morreu por ser drogadito. Ele não era drogadito. Se o fosse, ainda assim, teria direito à vida.
Também não era infrator, contra ele nunca houve sequer uma queixa de vizinhos.
Por que, então, foi assassinado sem chance de defesa?
Separar uma briga entre jovens não nos parece motivo suficiente para ato infame como aquele.
Contudo, o contexto explica por si todas as possibilidades, inclusive o mando, linha essa, que nossa polícia jamais considerou.
Será que esse silenciamento indica alguma coisa?
Como analista da sociedade local, afirmo grande margem de probablidade.
A mão que atirou pode ter sido escolhida a dedo, mão manchada de assassino de 17 anos, já na previsão do benefício legal.
Não esperemos apenas lágrimas e esquecimento. As ocorrências históricas alimentam as explicações sobre os tempos por nós vividos. Se não houve ação digna do Estado para reparar tal dano, meus próprios dedos letrados redigem essas cartas de indignação para informar ao futuro sobre as misérias do presente.
Assim, filho amado, terás deixado materialmente o lar que te acolhia, para figurar entre os mártires produzidos pela cultura de violência que Alagoas insiste em não superar, quando entrega e mantém os poderes nas mãos mais sujas que seguram sua bandeira.






Uma resposta
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