YALA SENA- Terra
O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), garantiu nesta quinta-feira em Teresina, no Piauí, que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga o bicheiro Carlinhos Cachoeira não vai paralisar o governo federal. Até o dia 8 de maio o Conselho de Ética do Senado decidirá se o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) vai responder a processo por quebra de decoro parlamentar por suposto envolvimento com o contraventor.
“Não paralisa nada. Não há nenhuma relação da CPI com o governo. O governo não entrou nisso. Desde o primeiro momento, o governo disse que é uma matéria do Congresso Nacional. E é até, digamos assim, uma homenagem que o governo fez ao Congresso”, disse Michel Temer, que esteve em Teresina para receber o título de cidadão piauiense. O vice-presidente ressaltou que o governo não entrou na questão da CPI e as convocações serão feitas de acordo com as necessidades que os deputados integrantes acharem necessárias.
Construtora Delta
Sobre a suspensão de contrato do governo com a Delta Construções, empresa alvo do escândalo Cachoeira, Michel Temer disse que depende de parecer da Controladoria Geral da União (CGU). “O cancelamento de obras da Delta depende de uma avaliação da CGU. A eventual retirada significaria a declaração de inidoneidade da empresa. Isso está sendo examinado pela CGU. É uma questão contratual, administrativa e estudos que estão sendo feitos nestes sentidos”, afirmou o vice-presidente.
Código Florestal
Temer admitiu que o texto do novo Código Florestal, aprovado ontem na Câmara dos Deputados, causou divergências. “Houve lá uma divisão de interesses muitos segmentados. Não é uma questão partidária. Tanto que os partidos votaram divididos, a exceção foi o PT, que votou unido”, disse Temer, que não quis comentar mais sobre o assunto.
O governo acabou derrotado na votação, pois esperava manter o texto referendado anteriormente pelo Senado, mas a bancada ruralista se impôs ao Planalto. Por 274 votos a 184, o texto do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) foi aprovado no plenário.
Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.
Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.
Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir ouros políticos, agentes públicos e empresas.
Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.







