Uma campanha da MTV dizia para o telespectador desligar a TV e ler um livro. Sim, era um jogo publicitário mas também uma provocação.
Afinal, como, onde e quanto estamos gastando o nosso tempo?
Redes sociais fisgam atenções, isso vira engajamento. Publicidades on line rastreiam comportamentos, usando o nosso tempo gasto nas mesmas redes, onde amor e ódio se confundem, vidas dos outros se fazem parecer mais importantes que a minha ou a sua.
E os tempos individuais das próprias criações e relaxamento escorrem para a indústria da atenção. E explodem os casos de ansiedade e depressão. Como ser dono da própria consciência, emoções ou espaço mental quando a necessidade é viver mais e mais as histórias dos outros?
Há 100 anos as maiores fortunas do mundo eram ligadas ao petróleo ou gás natural. Hoje, estão no ambiente virtual, gastando outra fortuna em fisgar a atenção e o tempo de quem rola os conteúdos na tela “sem ter o que fazer”.
A mensagem é a presença. Pessoas existem se estiverem nas redes. Os ausentes são tratados como invisíveis ou com desconfiança, criminosos em fuga do mundo ou dinossauros que sobreviveram ao meteoro.
Como voltar a controlar o próprio tempo? Sim, porque você e eu somos importantes como audiência. E também somos importantes para nós mesmos.
Tempo e atenção contribuindo para atividades úteis, manipulados e apropriados por nós mesmos. Impulsionando mudanças necessárias, opondo-se a essa carga exaustiva de atenção fragmentada.
Um grito cheio de significado, uma ética do bem-estar. E de atenção consciente.





