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Sobre meu sangue derramado, vivo

Haveremos que aprender a interpretar o mau uso das forças sociais instituídas, ou senão seremos eternamente constrangidos a conviver com a violência coberta em papel de seda e cetim.

A injustiça não pode fazer parte da nossa vida como um cardápio cotidiano ao dispor dos poderes.

Nem a força local nem a força nacional tem o direito de agredir, violar e matar.

Por que esse silêncio ensanguentado cobre nossos escritos e suspiros?

Por que essa indiferença pálida a deixar tantas lacunas em nossas lutas?

Talvez um dia eu já tenha tido medo de morrer, mas nem assim, deixei de creditar minhas energias na luta por justiça.

Hoje, já morri. Quando meu sangue foi derramado na rua mórbida que recebeu o corpo do meu filho Alexystaine, dei ali meu último suspiro de inocência, junto com ele.

Hoje, temo apenas a morte moral.

Morrer é conviver com o crime e maquiar suas marcas, disfarçar sua malevolência.

O fenômeno da morte física, que a todos nós contemplará um dia de alguma forma, não deveria ser mais temido que o fenômeno espúrio da morte moral, que é resultado de uma escolha, nascido da omissão e da culpa.

Por escolher a justiça, vivo!

 

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