A morte simbólica, vagarosa, corroendo a subjetividade, é um requinte de crueldade fácil de identificar; atua sobre as
imagens e corpos dos transeuntes, numa batida sutil que repete: “você nada vale”!
Ela justifica a neurose dos pais sobre os filhos, o afã pelos melhores postos, a imposição absurda e absoluta da vitória sobre o outro, a qualquer custo. Quem não vence, morre lentamente, ao som da batida perniciosa: “você nada vale”!
Pior que todas as megeras famosas, essa voz sinuosa trafega e submete as consciências fracas.
Chame-a de mercado, consumo, poder…chame-a serpente capital venenosa!
Meus trajes baratos afrontam sua astúcia. Localizei meu sítio de valores, o defendo com ardor ferrenho: a vida vale tudo!
Instrumentos neutros, dinheiro, conhecimento. Veículos de poder. Nas mãos da morte geram infanticídios, genocídios, parricídios…
Punimos com força o jovem errante, a crianças das ruas. Mas não olhamos fixamente na direção da culpa. Desculpamos quem mata milhares.
Minhas mãos permanecem desarmadas, apenas o verbo não pára.
As punições não mataram minha identidade, sei do que falo, quem sou e o que faço nessa magia cósmica que flutua por sobre os dejetos da cultura violenta. Sou apenas gente, e isso é muito.
Mantenho o olhar na busca dos teus olhos, você que é tão igual a mim em erros e acertos, te convido a não abandonar o posto. A vida precisa dessa leitura espalhada aos quatro cantos, enfrentando os medos de quem ainda não entendeu.
A morte moral é a mais lamentável das mortes!





