Agradeço infinitamente aos leitores e incentivadores, e afirmo que em 2019 terá mais!
Sim, eu vou continuar escrevendo as linhas das Alagoas sob a minha ótica de mulher e pesquisadora, fazendo da minha voz um canal de vozes a romper o silêncio imposto por uma historiografia patriarcal e elitista.
Em Bastidores da Violência (e dos violentos) em Alagoas, faço a provocação “Sociedade civil e sociedade servil”, entre outras coisas digo: “O que é sociedade civil? Quem se definiu na base societária assumindo essa feição? Quem está ganhando ou perdendo a partir dessa elaboração de mapa sociológico, aqui em Alagoas? Há muitas perguntas. Respostas não chegam.”
E saímos em busca de respostas. Não é este o cerne da pesquisa?
Mas dificilmente o faremos sem romper diques, quebrar paradigmas e aborrecer dominadores, as sanções podem vir de variadas formas.
Em Construção da Alma Alagoana: de Graciliano aos nossos dias, tem um trecho que fala: “A adaptação às regras tem também um caráter de proteção, para isto serve bem o silêncio e o anonimato como estratégias para selar o acordo de bem viver.
No geral, a quebra da ordem é pouco tolerada, e quem o faz receberá sanções.
Acrescentando a este item genérico o fato de ser Alagoas uma terra com peculiaridades de violência […].”
Quem ocupa os postos estratégicos muitas vezes não enxerga a história para além do umbigo. Há desenfreada ânsia de contenção dos talentos alheios, por medo de ouvir outros discursos, que destoem da cantilena azul e encarnada vendida como cultura local.
Em 200 anos de Alagoas: Análise Socioantropológica, afirmo: “Quem olha ao longe, sob os binóculos do moralismo insípido não pode ver. Não vendo, nada tem a declarar, apenas repete fórmulas em mecanismos de reprodução esvaziada de contribuições reais às causas da vida ou ao crescimento cultural e moral de uma sociedade.”
Desejam ardentemente controlar os ciclos de renovação entre si, mas os subversivos não se curvam. Minha escrita não se curvará!
Em Hibridismo Cultural Alagoano: o barro de onde viemos, está escrito: “Refazer caminhos históricos nos traz possibilidades de melhorar nossa percepção humana dos feitos sociais. Esse detalhe é grande em significado.
Religar nossa alagoanidade às suas origens étnicas, por certo nos qualifica cultural e humanamente.”
Minha tez de mulher continuará presente na literatura alagoana, com permissão ou não!
Em Etnotrancoso alagoano: colóquios não autorizados eu admito o risco: “Desentranhar as mazelas do mando pede destreza na exposição e capacidade de encantar o leitor ao discorrer, pois caso contrário, se fecha o livro em dois tempos.”
Por essa razão agradeço ao leitor que se torna um incentivador ao deixar os livros que escrevo abertos…
Graças a vocês tenho sobrevivido aos pesados silêncios institucionais e sutis desprezos das elites letradas. Mas até isso é estímulo, pois meu lugar de fala é a própria haste da honestidade intelectual que me define.
Rumo a 2019, sim!




