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Ser espírita em tempos de ódio

Existe uma necessidade pontual de refletirmos socialmente sobre o papel das crenças no contexto histórico brasileiro contemporâneo.

Evoluir pode ser sinônimo de pensar com autonomia, desgarrar das manadas conduzidas e sofrer inúmeras incompreensões, mas é fundamental resistir às intempéries e abraçar a luz, ainda que pequenina chama .

As práticas espíritas nas terras do Brasil estão sendo levadas para outros rumos, mostrando que o problema do mundo e das encarnações não residem na mediunidade, o portal incompreendido e rechaçado pelos interesses de alguns e os analfabetismos de outros tantos.

A salvação dos espíritos não se mede pela quantidade de caridade que possa demonstrar poder realizar.

A questão moral ganhou contornos políticos e culturais, e não pode mais ser desligada dos contextos econômicos.

Para o espírita deste tempo já não bastará fazer esforço para melhorar a si mesmo, pois o imperativo de melhorar o espaço global para todos os que nele habitam, se torna a maior referência de amor, e este amor, superou os limites das famílias padronizadas nos politicamente corretos tradicionais, se abriu em etnias e identidades diversas, o amor desceu ao pó do qual o corpo material se ergueu para alçar a mente aos caminhos etéricos do cosmo.

É nesta rota que a sabedoria de Jesus e de todos os espíritos que contradisseram os sistemas de poder do mundo trilharam, que estamos sendo convidados a trafegar.

A filosofia espírita nos preparou para o livre pensar!

Pensar com liberdade sem perder a conexão com Kardec, nos torna progressistas.

Como espíritas progressistas os desafios de amar em forma de trabalhos sociais estão ampliados, pois a assistência ao corpo não prescinde do alimento sutil de uma renovada mentalidade humana, baseada no respeito profundo à vida, liberando o passado de todos, para vivermos o presente com dignidade inconteste.

Chegamos ao Brasil bolsonarista com vergonhosa participação de espíritas “famosos”. E localizamos a derrocada.

O caminho divino não carece de torturas, perseguições e mortes! O nome desta prática é ódio.

Ainda há tempo. Ainda é possível reverter os efeitos da ignorância vestida de soberba, para acatar a “marginalidade” do nazareno, que pisou no chão e trouxe para a Terra a luz celestial amando igualmente a todos, sem trair a consciência .

Se o poder mundano matou o corpo de Jesus e segue matando outros corpos irreverentes aos seus ditames, nós espíritas que declaramos em praça pública o amor por Ele, não poderemos caminhar ao lado da morte.

Os mistérios nunca estiveram tão revelados!

A neutralidade é apenas um passo equivocado rumo ao nada das consciências frágeis, confundidas pelos desejos de participação nas cotas de privilégios, ainda que sejam apenas migalhas. O poder dominante do mundo tem seus encantos, contudo, o espírita sabe que existe o amanhã, e os dias de ilusão acordam assustados.

Não há mais como retroceder. Ou amamos, ou odiamos. Bolsonaro no poder é morte, fora do poder será luta pela vida.

Serão as trombetas a soar?

O que os ventos trazem para os seus ouvidos?

 

 

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Uma resposta

  1. Muito bom o texto. Tenho refletido sobre a questão 573 de O Livro dos Espíritos, onde Kardec questiona aos Espíritos sobre qual a missão dos espíritos encarnados

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