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Renan manda no jogo, mas Dantas e Victor também sustentam calheirismo

O governador Paulo Dantas afirma que não tem poder para vetar qualquer um dos candidatos escolhidos por seu grupo político. Cita Arthur Lira, JHC “ou qualquer outro”. Faz, segundo ele, política com maturidade, sem picuinhas.

A declaração de Dantas contém uma dose de ironia ao incluir o ex-presidente da Câmara. Afinal, Renan Calheiros — líder do grupo político que atualmente comanda o Palácio República dos Palmares — faz acenos públicos ao prefeito de Maceió e aos Caldas, mas trata Arthur Lira com silêncio, postura replicada pelo próprio deputado federal.

Se o apoio a JHC é possível, por que não estendê-lo também a Lira?

O calheirismo possui interesses diversos, mas não está rachado: Renan pai já lançou o filho ao Governo mais de uma vez, mesmo sem sua presença. Paulo Dantas e Marcelo Victor defendem o nome de Renan Filho, que, por sua vez, deseja permanecer em Brasília à frente do Ministério dos Transportes — uma pasta entregue por Lula aos Calheiros, com autonomia plena.

Uma solução ventilada tem sido inflar o nome de Isnaldo Bulhões, que já declarou: não será candidato a governador. Claro, tudo pode mudar com apoios consistentes e volume de votos.

A Assembleia Legislativa, comandada por Marcelo Victor, não aceita abrir mão do poder e do prestígio acumulados sob o governo Dantas. Victor indicou os secretários de Saúde, Fazenda e Segurança Pública — ou seja, tem a chave do cofre e o controle das duas pastas com maior capilaridade municipal. E isso se traduz em votos. Emplacou Dantas, que foi reeleito. Apoiar JHC ou Isnaldo Bulhões significa ceder espaço e abrir mão de um orçamento legislativo que caminha para R$ 1 bilhão.

Dantas e Victor podem ter pouca influência no MDB, mas comandam PSB, PSD e uma maioria quase absoluta na Assembleia. Sem esses dois partidos, os governistas terão menos tempo de TV e rádio nas eleições do próximo ano. Sem apoio da maioria dos deputados, qualquer candidato ao governo enfrentará grandes dificuldades para conquistar votos.

O cenário é volátil, os discursos também. Mas uma coisa não muda: na política partidária, quando a farinha é pouca, todos disputam o primeiro prato de pirão. Ninguém aceita menos do que isso.

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