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Quebrados os símbolos, sobreviva a fé

Em sociedade, o construto humano é essencial, para a materialidade até mesmo daquilo que expressa apenas o que é

Símbolo da religião afrobrasileira quebrado e jogado em lixão, na praia de Cruz das Almas (Maceió)

subjetivo.

Foi sob essa ótica que valorizei a reflexão diante do que poderia expressar o abandono de objetos e símbolos sagrados, jogados no lixo quase à beira-mar em Maceió.

Não investiguei as causas. Retive a curiosidade, não adentrando no círculo das energias desconhecidas que envolviam o ato.

Diante da indiferença dos passantes, questiono: e se fossem símbolos de outras crenças que estivessem aqui dispostos?
Talvez houvesse escândalo e indicação de heresia.

No entanto, os símbolos da crença afrobrasileira também representam a fé os sagrados.

Os olhos dos caminheiros não percebem.

A imaginação, essa rebelde, me leva a pensar nas esperanças de quantos já procuraram apoio moral e espiritual nas Comunidades e Terreiros, sem fazer ligação alguma com aquelas estátuas quebradas, acomodadas nas gramas e entulhos.

Longe da apologia da adoração, percebo nossa indiferença com aquelas representações, e busco ouvir o vento e as ondas, testemunhos daquela oferenda abrupta.

No peito que concede amar a religiosidade e as artes de representá-las, resta uma busca, mas nem tudo será explicado a contento, quando tantos valores díspares convivem numa mesma casa social.

A hierarquia das crenças é obra humana. A equidade do valor da Fé vai além de nós.

Por essa razão, mesmo o desrespeito exposto, não chega a ofender a religiosidade negra, índia, cabocla, brasileira! Que já venceu tantos abandonos e quebradeiras sem desalojar Yemanjá de suas águas nem retirar a força de Oxalá.

Meus olhos de tantos credos, contemplam as ruínas e o mar, na esperança dos dias de liberdade que certamente irão raiar para todas as consciências, na presença do mesmo Deus, Alá ou Tupã.

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