Quando o subcristianismo fabrica abilolados

Estes dias fui ao teatro assistir à apresentação de turmas de uma escola de balé.

Crianças, jovens e adultos se revezavam entre músicas instrumentais mas o palco refletia mesmo o clima do nosso país. A certa altura, compositores como Mozart e Vivaldi saíam de cena. Entravam os sucessos mais atuais, na boca dos adolescentes, todos em inglês. O repertório da apresentação tinha somente duas músicas em português: um dos tantos hinos de igrejas subcristãs e a outra que mostrava o valor do sacrifício. A plateia tinha parentes e amigos dos alunos, a maioria deles pobre. Em nome de Deus, valia a pena se submeter a todas as humilhações ou privações para alcançar a riqueza material.

Artistas nacionais da MPB, do samba ou sertanejo não mereciam uma performance entre o corpo e o ritmo da música. Eles nem eram tocados no palco. É como se tivéssemos sido recolonizados. Só é bom aquilo que fala inglês mesmo que o sonho americano seja impossível para aquela gente pobre tão honrada em ouvir músicas numa língua que não entendiam.

No final da apresentação, a dona da escola entoava uma oração. E a plateia era estimulada a ser uma legião de abilolados.

Existe uma ética por trás destas igrejas subcristãs. Elas ensinam fieis a atraírem dinheiro, mesmo em tempos de desemprego, para que os dirigentes destas igrejas cobrem o dízimo, permitindo fabricar mais fiéis cínicos e anti-solidários com membros de outras congregações.

O subcristianismo virou, de fato, o ópio do povo. Os fanáticos se espalham, estão de costas para o país. No Instagram não são poucas as páginas que trazem fotos diárias da primeira-dama Michele Bolsonaro, a mulher bela, recatada, do lar e que domina a linguagem dos sinais. É o modelo subcristão da mulher bonita, por ter os cabelos loiros, submissa ao varão.

Também no Instagram são muitas páginas citando passagens do Velho Testamento, adornadas por frases de auto-ajuda, onde estão os Bolsonaro. Existe até explicação para os homens- não as mulheres- andarem armados: a democracia permite que todos façam o que quiser. Só faltou dizer: inclusive matar.

Mas o acesso a armas não é tão democrático assim. Elas custam não menos que R$ 4 mil, se forem legalizadas.

E vejam só: ontem, em Alagoas, uma adolescente foi atingida por um tiro de espingarda disparada pelo irmão; na última terça, no Mato Grosso do Sul, o marido matou a mulher, com uma espingarda.

Nenhuma destas informações estão nas redes sociais dos Bolsonaro.

O papa Francisco prega a paz e fala em tolerância. E nos Estados Unidos, há um movimento para pedir o impeachment do dirigente da Igreja Católica.

Chefes de religiões de banheiro, no Brasil, exploram fieis prometendo riquezas num país à beira da recessão econômica e ganham homenagens até em um de seus produtos: uma música para um balé.

Realmente, o subcristianismo virou o ópio do povo.

Respostas de 2

  1. Falso cristão é aquele que apóia o comunismo e a cultura comunista que já nasceu pregando a inexistência de Deus, a inexistência da alma, a extinção das religiões e que, atualmente prega o aborto, a liberação do uso de drogas, a impunidade para criminosos, sexo livre, invasão de propriedade alheia, entre vários outros absurdos.

  2. Os comunistas querem desarmar a população para que os governantes comunistas possam fazer o mesmo que foi feito com a população da Venezuela, da Coréia do Norte, de Cuba, da Ucrânia, da China, da Rússia, etc.

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