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Quando o povo é governo

A situação das escolas públicas em Alagoas é um drama antigo, que infelizmente não foi por si só bastante instigante para mobilizar a população a pressionar governantes por soluções.
Foi necessário cair o teto, quebrarem as torneiras, a imprensa provocar, o caos completo ser instaurado para surgir o famoso plano emergencial de reformas em massa, diga-se também, com maior liberdade de contratação de empresas.
O Ministério Público alagoano, também tardio em relação ao caso posto, entra com ação que pode paralisar as tais reformas. Aí, temos o povo nas ruas (aquele mesmo povo que não foi antes!) para pedir que “por favor” não parem as reformas.
É preciso não ser alagoano para acreditar nessa mobilização popular pró-governo! Sim, pois quando era para lutar pelos interesses dos próprios filhos contra a inação governamental não surgiu um só grito nas ruas ermas da cidadania.
A mais plausível das hipóteses nos remete às lideranças locais, manipulando o entendimento dos populares para gerar uma pseudomanifestação em defesa daquilo que o Ministério Público levanta suspeitas de irregularidades e pede explicações. O mote é o mesmo dos pais – a educação dos jovens alagoanos – mas as intenções são extremamente díspares.
Afinal, por quais razões nossos representantes políticos empenham tantos esforços em analfabetizar os cidadãos?
Porque a consciência liberta não consegue aceitar os disparates que aqui chamamos de gerências públicas.
Uma população que indaga, que cobra e conhece seus instrumentos de luta torna o contexto das ociosas famílias herdeiras um tanto quanto incômodo.
Infelizmente muitos líderes comunitários comem na ponta das mesas governamentais e submetem a história ao confinamento da evolução. Todos os processos de desenlace político que aqui ocorrem trazem a marca da perseguição e até do sangue derramado, porque os instrumentos democráticos estão em sua maioria emperrados.
Democracia não funciona sem controle social, tornando-se a pior das tiranias pois que se apresenta como aquela sendo essa.
As barganhas políticoeconômicas continuam respondendo com mais força pelas desatenções sociais que a população alagoana recebe. Esperamos que o Ministério Público nos ajude a entender o que está ocorrendo realmente nessa história.

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