Nem os bolsonaristas mais fanáticos acreditavam que a era do capitão viraria um projeto de desmonte rápido e com profundas sequelas na educação superior brasileira.
Existe um projeto em curso que une as igrejas evangélicas de araque, o moralismo de fachada da nossa sociedade e mentiras- muitas mentiras- para bombardear entidades de currículo respeitável e que agregam ensino, pesquisa e extensão.
Bolsonaro pode entrar para a história como o presidente que mais vai fechar universidades pelo país.
Universidades onde estudam estes socialistas que usam IPhone, doutrinando jovens…
O curso superior é uma das pouquíssimas chances de mobilidade social entre os mais pobres num país historicamente injusto e socialmente exclusivista como o Brasil.
Porque é comprovado: quem tem um diploma melhora a própria história de vida mais as finanças de si mesmo e dos que orbitam est@ profissional.
Empresas ou entidades públicas exigem, cada vez mais, pessoas qualificadas, agregando conhecimento, espírito de equipe, disciplina cognitiva- elementos presentes em cursos superiores nas áreas exigidas por estes lugares.
Quantos casos existem nas universidades públicas de estudantes que representam a 1a geração de uma família a chegar ao curso superior?
Ou quantos diplomados, filhos de carpinteiros, doceiras, lavadeiras, empregadas, garis, margaridas, agricultores alcançaram ótimas colocações no mercado de trabalho e melhoraram as próprias condições, comprando eletrodomésticos, carro, reformando o telhado da única casa da família, transferindo dinheiro a outros parentes…
São circunstâncias inéditas porque desde que as primeiras faculdades brasileiras passaram a existir ainda no século 19, apenas a elite poderia assistir à continuação de seu legado com seus filhos virando doutores.
Hoje, o que poderia ser peça para a construção do país virou guerra cultural na era Bolsonaro.
Ele quer a universidade como o modelo de 200 anos atrás operando no Brasil. Ou seja: apenas quem tem dinheiro e sobrenome chegando ao curso superior.
Bolsonaro pode ir mais longe. E implementar uma política de ódio aos mais pobres chegado às universidades ou faculdades.
Ninguém controla o ódio de uma classe por outra.
E, no Brasil, esse ódio chegou muitas vezes ao extermínio.
Nosso passado se repete. Infelizmente não é uma farsa.





