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Privatização do saneamento em Alagoas vai proibir acesso a água para quilombolas descendentes de Zumbi

No mês da Consciência Negra, o futuro da Companhia de Saneamento de Alagoas – a Casal- coloca em xeque a existência de comunidades descendentes do Quilombo dos Palmares, os quilombolas, do líder negro Zumbi.

Foi Zumbi quem liderou o quilombo mais famoso da história do Brasil, considerado a primeira tentativa de implantação de uma república nas Américas, no século 17. O Quilombo dos Palmares ficava na Serra da Barriga, hoje na cidade de União dos Palmares, Alagoas.

Sobre a Casal: das 68 comunidades existentes no Estado, apenas 11 poderão- um dia- ter acesso a água encanada. 83,9% não terão água.

Sonho ainda não realizado porque o saneamento está sendo universalizado, ainda que lentamente, pela estatal alagoana.

Sonho que pode ser interrompido porque a companhia está na beira da privatização ou desestatizada.

E levar água para estes lugares, levando em conta uma gestão exclusivamente empresarial – voltada para os lucros e tratando a água e esgoto como mercadorias gerando valor- será caro e estes quilombolas tendem a viver sem o “luxo” de água e esgoto encanados.

O projeto elaborado por uma consultoria do BNDES – para definir o futuro da Casal- diz que, em cada município a população atingida abrange, além dos moradores da área urbana, a área rural, desde que a população nestes locais seja superior a mil habitantes.

Problema é que, na comunidade Perpétua, em Passo de Camaragibe, moram 140 pessoas. Seguindo-se na risca a lei da oferta e da procura, nunca verão água nas torneiras.

Perpétua é uma das 68 comunidades quilombolas cadastradas pelo Iteral, o Instituto de Terras e Reforma Agrária. Bom Despacho, na mesma cidade de Passo, com pouco mais de mil pessoas, poderá ter acesso a água e esgoto, porque tem mais de mil pessoas.

Além dela, Tabuleiro dos Negros, em Penedo; Alto do Tamanduá, em Poço das Trincheiras; Pau D’Arco e Carrasco, em Arapiraca; Palmeira dos Negros e Sítio Serra Verde, em Igreja Nova; Paus Pretos, em Monteirópolis; Vila Santo Antonio, em Palestina; Quilombo, em Santa Luzia do Norte e; Mumbaça, em Traipu.

A proposta do Governo para privatizar a Casal obedece a etapas.

A primeira abrange a Região Metropolitana, a mais lucrativa.

E as áreas não lucrativas? Como ficam?

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