A briga das lideranças políticas locais em torno dos bilhões do Novo PAC a serem destinados a Alagoas também mostra que não existem iniciativas próprias ou projetos locais para a diminuição do abismo social nem o enfrentamento de problemas seculares- como a fome.
Lembrando que, quando Renan Filho era governador, dizia que os cofres da Secretaria da Fazenda estavam abarrotados de dinheiro. E fizemos asfalto, estradas no caso.
Estamos falando de lideranças que ocupam lugares de destaque em Brasília. Porém a visibilidade delas não garante o fim do déficit habitacional- mais de 130 mil casas em Alagoas. Nem a desconcentração de renda- somos líderes neste ponto- nem projetos que retirem do papel o sonho das águas levando prosperidade no entorno do Canal do Sertão, numa terra onde a fome atinge 1 a cada 3 pessoas.
Também não temos instituições com estofo moral ou intelectual para enfrentar o que precisa ser enfrentado. São válidas algumas iniciativas, aqui ou ali, de abnegados ocupando funções públicas, mas como o trabalho não é mais amplo acaba sufocado por estruturas se esforçando em conservar nosso lugar de pior entre piores.
Não precisamos de experiências como o ‘Estado zero’. A realidade se impõe: mais de 90% da população depende do SUS, um sistema de saúde que encontra oposição entre significativa parte dos médicos. Maceió é a pior capital do Nordeste na cobertura do programa saúde da família.
E é como se nada fosse, uma planta seca na paisagem. Está ali, como se não estivesse.
Sem medidas próprias, a mobilidade demorará a chegar. Ou talvez nem venha. Perdemos nós, perdemos todos. Até quando a corda esticar ainda mais, ameaçando romper.





