É perigoso comparar o debate sobre a liberação das armas de fogo no Brasil com o consumo da maconha.
Creio que o país tem dificuldade de instrumentos de controle ou fiscalização nos dois sentidos.
Lembrando que nas últimas décadas vem se consolidando, na mente do brasileiro, a ideia de que o Estado deve ser mínimo, apesar de garantir privilégios máximos aos do “topo da pirâmide”.
Liberamos o consumo de bebidas alcoólicas. Mas não controlamos nem a quantidade de bares e restaurantes muito menos o consumo ou o tipo de público alcançado. Muito menos jogamos para o “mercado”- essa entidade invisível e tão presente em nossas vidas- a conta paga pelo SUS por acidentes de trânsito, doenças provocadas pelo consumo em excesso e segue a lista.
Aos poucos, tanto os instrumentos de fiscalização quanto de controle no Brasil estão sendo desmantelados.
Uma simples viagem de carro de Maceió a qualquer praia na direção do litoral norte, por exemplo, mostra isso: quantas blitz funcionam? Elas funcionam? Qual a estrutura de trabalho dos policiais? Ela existe?
Drogas, armas passam de um lado a outro, sem que a polícia tenha condições de vetar o trânsito.
Jogar para as mãos invisíveis do mercado ou colocar como “escolha pessoal” a compra de uma arma nos conduzirá à selvageria.
A história nos mostra que a Justiça e as leis, além de serem relativas demais, privilegiam os cidadãos de bens, vão contra os mais pobres, protegem sistemas e seus comandantes.
A despeito de nos compararmos aos Estados Unidos, e sua cultura armada, lembremos também dos atentados à bala que o fanatismo e os transtornados causam por lá e estão atraindo para cá.
Se queremos copiar e colar os exemplos dos mais ricos, por que não seguimos o modelo canadense de educação, gastando mais nessa área que o grupo dos oito países mais ricos do mundo?
Seria um bom começo para nos nivelarmos “por cima”.





