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Políticos trocam questões sociais por perseguição ao diabo

Uma eleição se faz com quantas manipulações? Quantos rancores? Quantas manobras travestidas de estratégias, conseguem mascarar as verdadeiras intenções, em um palco sem desmonte, desde as câmaras municipais aos congresso nacional?

Não reclame em vão, eleitor. A luta pelo poder nunca foi linear, nunca existiu sem crimes, e se um obstáculo formal surgiu no meio da história, a ele chamaram democracia, mas não foi protegido o suficiente e hoje está sob grave ataque.

Entre toda a insipiência que forma a individualidade neste país, no final das contas, o pagador da conta, é instigado a decidir sozinho em quem deve votar, na maioria dos casos ouvindo os conselhos do estômago, da moral estrangulada pelas esquinas e do moralismo tradicional vociferante.

Conhecimento político continua sendo privilégio de quem não tem força de convencimento.

Neste caso, é preciso saber comover, convulsionar, envolver. Há muito não importa o conteúdo, embora seja preciso registrar que a extrema-direita retira o fascismo das cinzas e tem logrado êxito entre as camadas populacionais votantes, como se fosse novidade o gosto pelo espúrio em uma sociedade pressionada entre a cruz e o precipício desde suas fundações.

Sim, tudo o que parece bizarro é planejado.

No auge das arrogâncias também moram manipulações.

O caminho mais limpo sempre será aberto pelo conhecimento, pela análise crítica, porque desvenda intenções e define campo de luta consciente.

O voto só será consciente quando brotar neste tipo de história.

Enquanto for disputado no território das misérias humanas será fétido. O resultado será feito em malogro para o votante. O poder rasgará a si mesmo por espaços de decisões, mas sua auto-regeneração será feita em acordos e negociatas.

Por isso o analfabetismo é mantido como alimento do fracasso civilizacional.

Nas largas frestas da ausência de saber político e econômico o fundamentalismo transforma a disputa partidária em armadilha para o demônio, o diabo, o satanás; entidades místicas criadas para disputar condutas e controlar mentes, mas no final, se transforma em discurso eleitoreiro.

O manuseio simbólico da meta-mensagem transforma qualquer adversário em criatura sombria e odiosa, logo, o concorrente eleitoral vira um ser diabólico, temido, evitado, combatido.

O Brasil precisa de sabedoria para salvar a história do grave retrocesso que desponta.

Não discutir economia, educação, saúde, moradia, condições objetivas de existência, nos palanques, e deixar que o medo do inferno fale em substituição de propostas políticas, é o absurdo que nos ronda nestas eleições contemporâneas.

A política partidária não existe para discutir coisas do além, mas do aqui e agora, sobre as necessidades do corpo e da mente de quem compõe quadros sociais, precisa ser alimentado no mínimo três vezes ao dia e morar dignamente, e precisa cuidar da saúde e ter relações saudáveis com os diferentes em uma sociedade diversa.

Se um candidato não apresentar proposta alguma sobre a concretude social e suas dinâmicas de serviço à vida real, esta pode ser a primeira questão eliminatória.

Não vote em quem acusa o diabo de destruir a família, mas deixa as famílias se perderem na miséria, sem esperança de futuro desde os dias presentes. As pautas socioeconômicas são mais importantes do que qualquer grito sobre seres irreais e mitológicos.

Os que escolheram o diabo como cabo eleitoral merecem o repúdio de todos nós, já que a justiça eleitoral também não entende de política.

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