O Dia dos Avós traz uma rica simbologia com as contribuições das miscigenadas crenças que fazem do nosso país um território de diversidade.
Mas precisamos tocar com respeito essa realidade que envolve os avós no Brasil, onde grande número de idosos sustenta os lares com os parcos recursos de aposentadorias e pensões, e criam netos, porque os filhos foram barrados pela seletividade dos sistemas econômicos que afetam as camadas socialmente vulneráveis.
Avós que dividem o terreno pequeno da morada, e constroem casas nos quintais, para garantir teto aos descendentes, infelizmente não são raridades. São sinais de que a desigualdade social brasileira compromete o futuro das novas gerações, e isso é caso a ser resolvido com políticas de incentivo à formação e geração de emprego.
O capitalismo não abre espaço para todos, e o Brasil é atravessado por outras questões, como por exemplo, a racial, de gênero, sexualidade e outros vieses padronizados pelo poder dominante.
A simbologia religiosa católica traz os avós de Jesus de Nazaré, Joaquim e Ana, pais de Maria, para homenagear este nível de parentesco. Fala de candura, como o amor puro pelos netos a mover energia de liga entre familiares.
26 de julho é dia de Santa Ana.
Caracterizadora do mês de julho, como mês de Sant’ana em muitos lugarejos do país, principalmente nos rincões nordestinos, cultivadores de fé católica ao modo tradicional.
No sincretismo que religa ao chão africano, é dia de Nanã Buruquê, iabá antiga, que se apresenta encurvada como uma idosa, no papel de guardiã do portal que interliga os mundos dos vivos e mortos, representa a sabedoria de quem cuida, acolhe e renova a energia da vida.
Mãe de vários orixás, cuida dos moribundos e recebe os desencarnados, também os prepara para reencarnar.
Um elo de amor entre viver e morrer, para renascer.
Santa Ana e Nanã Buruquê sejam a energia que alimenta a luta dos avós empobrecidos, miserabilizados pelos sistemas de desigualdade social e exclusão do nosso povo do direito de ter futuro. Que incentive as lutas e fortaleça nos lutos, pois a nossa sociedade é composta de violências que arrebatam nossos jovens e entristecem os nossos velhos.
Santa Ana, que também sofreu a crucificação do neto, seja a luz que mantém acesa a chama nas famílias enlutadas, que de tantas maneiras são crucificadas pelo manejo político e econômico que insuflam a cultura de morte no Brasil.
Nanã Buruquê seja o abraço acolhedor, que recebe os desencarnados e envia para os encarnados as proteções necessárias para os recomeços.
Que este Dia dos Avós, seja muito mais do que uma alegoria terna, mas uma lição de sabedoria como requisito de sobrevivência de um povo longevo.
Vida longa aos avós com seus filhos e netos. O Brasil nos deve esta garantia.
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