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Pela memória de um amigo: Fora Bolsonaro

Não é comum ficar na espreita, aguardando notícias de mortes evitáveis dos amigos e familiares que não tiveram tempo de receber uma vacina que já existe há tempo suficiente para ter evitado o genocídio!

Todos os dias uma lista de nomes desconhecidos e conhecidos, batalha para ser rotina e impõe à força a naturalização do extermínio com fins políticos. Nossos amores estão morrendo e nós estamos cada vez mais entristecidos, encurralados no temor do amanhã, entre os riscos e a fatalidade.

Pouco depois de Edvaldo Albuquerque ser hospitalizado por Covid-19 houve a liberação da vacina para a categoria profissional da qual fazia parte, professor. Mas assim como ele, uma quantidade enorme de profissionais da educação em Alagoas teve a vida física ceifada pela pandemia.

Acompanhar a angústia dos amigos hospitalizados, a piora dos quadros clínicos, transferência para UTIs, saber quando são intubados e por fim as notícias sobre mortes, por certo no abalam não somente os aspectos emocionais, mas também nossas perspectivas de superação dessa história dolorosa.

Porque o chefe de estado responsável pelas políticas sanitárias, preventivas, de sustentação estrutural do que deveria ser a luta de um país no combate ao vírus estava passeando de moto enquanto o povo morria, e na exata hora na qual milhares de corpos não suportaram mais lutar, o presidente do Brasil estava em alguma mídia zombando do uso de máscaras, incentivando o negacionismo vacinal e promovendo turbas aglomeradas e ensandecidas.

De um lado a perda cruel que não permite sequer despedidas, e do outro a criminosa atuação diária do presidente do Brasil, impunemente.

Entre a dor e a tragédia se espremem nossos medos, desenganos, evaporando cansaço e depressão!

Não temos com quem contar. Nem nos ombros uns dos outros nós podemos chorar.  E eles se vão, nossos amigos e amores são levados para o infinito da saudade sem matéria, sem velório, sem última imagem.

É genocídio! Cota diária de seres exterminados. A luta pela vida sendo arrastada no turbilhão das opiniões, das notícias falsas, compondo um projeto de governo que sempre quis nos matar!

Como dizer apenas adeus a Edvaldo Albuquerque?

Ele que segurou tantas lutas, bandeiras, causas e amorosamente apoiou a resistência, merece muito mais do que lágrimas. Por ele nós precisamos endossar o grito #foraBolsonarogenocida e registrar nas páginas desse tempo nossa contribuição pela vida com lutas políticas comuns.

Do coração afetado partem as vibrações de confiança na espiritualidade amorosa que acolhe todas as vítimas desta matança brasileira, e um desejo carinhoso de que o espírito agora liberto dos sufocamentos sentidos  renasça para outras vivências do amor.

Vai com Deus amigo Edvaldo, e deixa em nós a saudade quente, indignada e aguerrida na luta por um Brasil sem Bolsonaro.

Tua parte foi feita com amor.

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3 respostas

  1. Aqui em.minja cidade, Piracicaba, também choramos a ida de um amigo, militante, professor, que todos que o conheceram dizem ter um coração enorme . Não o conheço. Mas choro sua partida. Choro a de todos.

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