Ardorosos juízes do tribunal das redes sociais poderiam também canalizar revolta e ódio para políticos e servidores públicos que fraudam licitações e desviam emendas parlamentares.
Operação da Polícia Federal na Bahia descobriu que uma organização criminosa movimentou R$ 1,4 bilhão, mais R$ 825 milhões em contratos com órgãos públicos. Ao menos R$ 4,7 milhões foram aplicados no próprio bolso da orcrim.
A Assembleia Legislativa de Alagoas recebeu este ano, a mais, R$ 180 milhões, além do próprio duodécimo. Além disso, parlamentares encaminham emendas para as próprias fundações.
Instituições republicanas investigariam o rastro deste bilhete premiado de mega-sena, sem sorteio.
Mas elas prevaricam. Não se humilha inimigo de copo de uísque.
Porque para todos eles o tempo de prosperidade do Natal existe o ano inteiro, com mesa farta e bebida cara.
As emendas do orçamento secreto encaminhadas para Alagoas, por exemplo, não chegaram ao povo. Mas, nas ruas das cidades agraciadas, carros novos e de luxo estão estacionados nas portas das prefeituras.
Intencionalmente existe uma manobra linguística para justificar a cada um de nós que os maiores bandidos de Alagoas estão nas periferias. Apesar das muitas operações da polícia federal, várias delas na Assembleia, terem mostrado exatamente o contrário.
Se a lei de Talião valesse para alguns dos nossos deputados estaduais ou federais, eles já estariam trucidados, cremados, enterrados em terra salgada para não nascer nem broto e condenados pelas próximas reencarnações.
Não é o caso, por isso a defesa do “bandido bom bandido morto” valer para os comuns.
A Assembleia Legislativa vai pagar em 2025 R$ 2,7 milhões por uma escola legislativa, que nem tem alunos nem professores nem sala de aula físicas nem virtuais.
Para quê “existe”?
Enquanto isso a Polícia Federal passa ao largo de Alagoas. A PF virou um elefante branco, burocrático e que serve para carimbar papel.
Mesmo que fosse diferente, investigações seriam por exemplo, enviadas para o Tribunal Regional Eleitoral, que arrasta processos rumorosos por anos, lerdamente. Será um sistema de proteção? Ou as muitas interpretações do Direito que permitem prazos ao infinito?
Pensar o mundo do crime no Brasil é também lembrar do papel histórico das instituições.





