ONU: 2012 é ano do cooperativismo

Ao todo, existem 133 cooperativas em atividade na Paraíba só entre as registradas no Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado (OCB-PB)

Correio da Paraíba

No mundo, uma em cada sete pessoas é associada a uma cooperativa. Na Paraíba, este modelo socioeconômico já conta com mais de 46 mil cooperados. São funcionários públicos, produtores rurais, médicos, artesãos, comerciantes, garimpeiros, por exemplo, que decidiram se unir para conquistar seu espaço no mercado. Em reconhecimento às contribuições destas iniciativas no cenário mundial, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu 2012 como Ano Internacional das Cooperativas.

Ao todo, existem 133 cooperativas em atividade na Paraíba só entre as registradas no Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado (OCB-PB). Nestas entidades, há 46.761 associados, mas o número de pessoas ligadas ao setor provavelmente é maior, já que nem todas as cooperativas se cadastram em seu órgão representativo. Destacam-se entre as maiores cooperativas paraibanas as das áreas de saúde, a exemplo da Unimed e da Uniodonto, e de crédito, como os sistemas Unicred e Sicoob.

Mas em todo o Estado há histórias de desenvolvimento em ramos como transporte, turismo e lazer, e agropecuário. Localizada em Campina Grande, a Cooperativa de Produção e Suplementos Naturais (Coopernut) é um destes exemplos de sucesso.

Partindo do desemprego

A Coopernut oferece serviço de buffet para eventos com até mil participantes, surgiu da iniciativa de um grupo de trabalhadores do bairro do Presidente Médici que estavam desempregados, em 2002. “A proposta era criar uma cooperativa mista, que reunisse todo tipo de profissional. Mas o pessoal queria uma coisa imediata, que resolvesse logo o problema.

Quando vimos o que era o cooperativismo e que era preciso investir, desistimos dessa primeira ideia”, conta a presidente da Coopernut, Avani de Araújo Pereira. Na época, Avani era responsável pela área de alimentação da Pastoral da Criança, em Campina Grande, e foi desta experiência que surgiu a ideia de produzir a multimistura (complexo alimentício) para vender em supermercados.

“No primeiro mês, produzimos apenas 180 pacotes de multimistura. Éramos um grupo de nove pessoas e apenas três tinham dinheiro para comprar o material para fazer o produto, que na época custou R$ 180. Depois a demanda foi aumentando e, em janeiro de 2003, criamos a cooperativa porque os supermercados começaram a pedir nota fiscal. Em 2004, a produção chegava a dois mil pacotes e era vendida nos maiores supermercados de Campina Grande”, relembra.

Um ano depois, a cooperativa fez parceria com a ANDI e conseguiu um galpão para confeccionar seus produtos, onde foi construído um salão com capacidade para 200 pessoas. Atualmente, a Coopernut atende a pelo menos 15 eventos por mês, com clientes como Embrapa, Sebrae e Banco do Brasil. “Temos 29 associados que mudaram de vida, mas a gente quer crescer mais e melhorar a nossa estrutura”, afirma.

Cariri tem 1.490 funcionários

Criada em 1997, a Cooperativa Agropecuária do Cariri Ltda (Coapecal) é um dos destaques do setor de laticínios da Paraíba. A entidade é responsável pela fabricação de 17 tipos de produtos como iogurtes, doces, requeijão, coalhada e sorvetes da marca Cariri. No total, 1.490 pessoas, entre produtores, funcionários e vendedores, estão envolvidas na estrutura da cooperativa, que inclui indústria e centros de distribuição próprios em Campina Grande, João Pessoa, Natal, Recife e Maceió. O leite beneficiado pela cooperativa é oriundo de 22 municípios do Cariri paraibano.

Conforme Laudemiro Lopes, que é um dos diretores da cooperativa, o objetivo inicial da Coapecal era promover a estabilidade na pecuária de leite, através da implantação de uma usina de beneficiamento. A ideia era eliminar a figura do intermediário que causava prejuízos aos produtores de leite. Inicialmente, o principal cliente da cooperativa foi governamental – o Programa do Leite –, mas com o passar dos anos a situação se inverteu e, hoje, é o mercado aberto que recebe a maior parte da produção.

Segundo o presidente da Coapecal, Marcelino Trovão, cerca de 55 mil litros de leite são processados pela indústria, diariamente, dos quais 35 mil vão para o mercado aberto, enquanto outros 20 mil são destinados a programas governamentais. Os produtos Cariri são comercializados em aproximadamente quatro mil pontos de venda na Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará.

Além dos centros de distribuição próprios, a cooperativa conta com a distribuição terceirizada nas cidades de Petrolina, Mossoró, Nova Cruz, Angicos, Quixadá e Fortaleza. Nesta última cidade, a Coapecal já prepara um novo centro de distribuição que ainda está processo de abertura. O resultado de todo esse crescimento se reflete também no número de associados. A Coapecal, que foi fundada por um grupo de 20 produtores no município de Caturité, hoje, conta com 547 associados.

Cooperativa quer chances iguais

Incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Este foi o desafio que a Cooperativa Paraibana de Pessoas com Deficiência (COPPD) decidiu enfrentar em 2006. A entidade hoje gerencia parte dos estacionamentos rotativos Zona Azul, em Campina Grande, mas está disposta a encarar novos desafios para expandir sua atuação. “Queremos ampliar nossas atividades, para que possamos aumentar o número de sócios e garantir trabalho a outras pessoas com deficiência”, afirma Eduardo Jorge Dias Florentino, diretor administrativo.

Segundo ele, o trabalho nos estacionamentos rende aos cooperados uma remuneração mensal média de R$ 653, além de um adicional de 3% por produção. No final do ano, eles realizam o rateio das sobras – na linguagem do cooperativismo, não há lucros, mas sobras que os cooperados repartem entre si. “No ano passado, houve cooperado que conseguiu tirar um valor equivalente a três salários mínimos no rateio das sobras”, revela Eduardo.

A independência financeira, proporcionada pela participação na cooperativa, contribuiu para o aumento da autoestima dos associados, conforme o diretor administrativo. “Eles se sentem úteis, valorizados e realizados, inclusive alguns já adquiriram casa, moto e carro”, conta Eduardo.

Para se profissionalizar ainda mais, a cooperativa investe na participação de eventos de capacitação e intercâmbio técnico. No período de 29 de abril a 6 de maio, dois representantes da cooperativa participarão, em Porto Alegre, de uma assembleia nacional para pessoas com deficiência. Eles farão intercâmbio na Contravipa, cooperativa de trabalho que promove a inclusão social de pessoas idosas ou com deficiência.

Produtos em couro

Tapetes, calçados, bolsas, carteiras e outros acessórios feitos de peles bovina e caprina integram o mix de produtos confeccionados e comercializados pela Arteza – Artefatos em Couro e Curtume. A cooperativa, localizada em Cabaceiras, surgiu em 1998 por iniciativa de curtidores de couro e artesãos que queriam organizar a produção e comercialização dos artefatos.

Hoje, a Arteza produz em média 20 mil peças por mês, que são distribuídas para lojas de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Pernambuco, além da própria Paraíba. A ampliação do mercado consumidor é sentida no bolso dos 58 cooperados que, segundo a gerente Ana Paula de Castro Sousa, observam um aumento médio de 50% em seus rendimentos desde a criação da cooperativa.

A remuneração é equivalente ao valor de três salários mínimos, pelo menos.

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