A passagem de ônibus em Maceió deve ficar mais cara, depende agora de uma decisão final do prefeito Rui Palmeira.
E seguindo o roteiro, nenhuma instituição em Alagoas deve ao menos questionar na Justiça se estes valores se adequam ao serviço oferecido pelos empresários.
E isso mostra muito do que somos como civilização.
Os empresários ofereceram uma proposta para que a passagem custasse R$ 4,02.
O Conselho Municipal dos Transportes e a SMTT acordaram R$ 3,80.
A passagem hoje custa R$ 3,50.
Não existiu nenhuma auditoria que comprovasse a necessidade deste aumento.
E isso seria importante porque o tipo de serviço oferecido por estas empresas em Maceió é caro e não atende a todos.
Logo em nossa sociedade quando reclamamos tanto do tal do direito de ir e vir.
Existe o direito de ir e vir em comunidades de Maceió onde os ônibus não chegam?
Por que a licitação do transporte urbano não trouxe ao menos o conforto nos coletivos?
E por que a SMTT pune sempre a parcela mais pobre da população, ao fiscalizar o chamado transporte clandestino, e fica em silêncio ao ver ônibus superlotados circulando pela cidade?
A Câmara de Vereadores pediu que o prefeito vetasse o reajuste.
E Rui poderia fazer isso- se quisesse.
Assim como a SMTT- se quisesse- poderia exigir transporte urbano com o mínimo de qualidade, o que não existe.
Também outras instituições poderiam exigir auditoria no valor da passagem.
Não é democrático empurrar, para o consumidor, um transporte mais caro e ruim. Essa democracia escorada que espera o surgimento de um herói resolvendo todos os nossos problemas não é democracia.
Então, teremos o seguinte cenário: ônibus mais caros, mais gente deixando de andar neste tipo de transporte- porque não pode pagar- mais pressão dos empresários de ônibus para encarecer a passagem.
Lembremos que em 2013 os brasileiros foram para as ruas. E esse movimento começou na discussão do aumento da passagem dos ônibus em São Paulo.
Em Maceió até o Tribunal de Justiça se ofereceu como moderador na onda de protestos que também chegou a Alagoas.
E o reajuste no valor da passagem foi adiado.
Hoje é apenas o silêncio de todos os personagens envolvidos nesta história. Inclusive o silêncio dos usuários de ônibus.
Pardais
Vejamos, por exemplo, os pardais em Maceió, proibidos pela Justiça de aplicar multas.
Bem, a questão do Direito, esse Direito líquido e incerto, fica com quem entende.
Mas, está escrito na decisão da Justiça que a Prefeitura não provou a necessidade dos pardais em alguns pontos da capital.
Que o trânsito em Maceió está cada vez mais violento, é verdade.
Que a velocidade dos carros tem de ser diminuída, também é verdade.
Mas por que não existiam pardais na orla lagunar, onde os carros voam e os pedestres são ameaçados por desequilibrados ao volante?
Será que os mais empobrecidos não merecem, pelo menos, a segurança de vida?
O prefeito Rui Palmeira está dizendo, em outras palavras, que quem não defende os pardais está contra Maceió.
Então por que a equipe dele teve mais pressa em instalar os equipamentos, para aplicar multas e fabricar dinheiro, sem, ao menos, analisar a necessidade da área. E isso o que está escrito na decisão da Justiça.
A Prefeitura não provou para quê serviriam os pardais em alguns trechos de ruas.
E o prefeito não contestou isso.
Rui Palmeira quer mais segurança no trânsito ou criar um gordo caixa de dinheiro público na administração municipal?





