A mais recente operação da Polícia Federal tendo como alvo negócios do senador Fernando Collor (PROS)- suposta lavagem de R$ 6 milhões em imóveis que teriam um assessor dele como laranja- mostram um detalhe nada desprezível no mundo político.
Em 2015, quando a PF entrou na Casa da Dinda, seu quartel-general, Collor teve a defesa do então presidente do Senado, Renan Calheiros.
Na quinta, quando a PF voltou a mirar o senador, ele reagiu nas redes sociais. Mas, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM) não se manifestou.
A política mostra alguns lados. Não basta apenas ser senador. Mas carregar capital político, status, poder na máquina pública federal.
Ao que parece, aos poucos, Collor vai perdendo estas características.
Veja: o senador é o único dos 81 na Casa a ter no currículo a Presidência da República. Chegou a Brasília pelo voto e sua participação em qualquer das eleições alagoanas é crucial para definir os destinos de vários dos agentes políticos, do passado e do presente.
Não é um candidato qualquer. Duas de suas mais recentes entrevistas no cenário nacional- para a BBC Brasil e a Folha de São Paulo- tinham como foco a posição dele como ex-presidente e sua opinião sobre o desempenho de Jair Bolsonaro.
Mas, a desistência dele na disputa ao Governo ano passado; o pedido de recuperação judicial de suas empresas; o avanço das investigações da Lava Jato contra ele, mostram que o senador que recebeu o apoio de Renan Calheiros, presidente do Senado, em 14 de julho de 2015, e três anos depois, apontam que Collor tem menos do próprio mandato hoje.
Entrevistado por Geneton Moraes Neto, Collor foi perguntado porque escolheu assistir sozinho ao pedido de impeachment contra ele, em 1992. “Porque eu me sentia sozinho”.
Aos poucos, o fantasma deixa de ser etéreo. Vai virando realidade.





