BLOG

O que Ronaldo Lessa tem a dizer sobre JHC, Paulo Dantas e o futuro das finanças em Alagoas?

Em meio a tantas dúvidas em torno da saúde financeira dos cofres públicos, o vice-governador Ronaldo Lessa (PDT), que assume a função em janeiro, é taxativo: Alagoas não vai quebrar.

Lessa diz haver uma consciência de recuperação das contas locais. Mas cita que a decisão do governo Bolsonaro de obrigar os estados a abrirem mão do ICMS foi “um equívoco”.

Pelos cálculos do secretário da Fazenda George Santoro, Alagoas perde R$ 1 bilhão por ano com a medida federal. No dia 19, a Assembleia Legislativa aprovou aumento do ICMS de 17% para 19% no próximo ano, para compensar esta perda.

A medida é criticada porque o Estado não abre mão da anistia fiscal a setores mais ricos, incluindo os usineiros, que deixam de pagar mais ICMS. E com o aumento da alíquota do imposto são os mais pobres quem sentirão, no bolso, o peso da decisão do Governo alagoano.

Voltando a Ronaldo Lessa: ele lembrou que, quando era governador (2003) Alagoas pagava o maior juro da dívida pública, mesmo sendo o mais pobre do país.

A justificativa do então presidente FHC era o risco de calote. Se Alagoas não honrasse o compromisso de pagar os juros da dívida pública, o Governo Federal retinha parcela do Fundo de Participação dos Estados (FPE).

Quando Renan Calheiros foi presidente do Senado, diz Lessa, ajudou os estados – incluindo Alagoas- a repactuarem a dívida e diminuir os juros das parcelas.

“Alagoas por exemplo hoje paga um terço do que pagar naquela época”, disse Lessa. Esta condição capitalizou o Estado e hoje se discute políticas para o combate à mortalidade infantil e a miséria.

“E aqui com a secretaria nós vamos tocar esse processo pra mostrar que nós somos capazes de mudar esse quadro”, diz o vice. Ele se refere à Secretaria de Assistência Social, que ficou na cota do PDT e será tocada pela ex-prefeita Kátia Born, aliada histórica de Lessa.

Refém da Assembleia?

Marcelo Victor teve papel central na eleição de Paulo Dantas. Pode-se dizer que o governador é refém do presidente da Assembleia na distribuição dos cargos?

“Não diria, não dá pra você mensurar isso. Mas eu acho que da forma com que as coisas se conduziram eu não tenho também medo disso de que a assembleia vai tentar fazer o governador refém”, explica o vice.

Vai apoiar a reeleição de JHC?

“É muito difícil porque o Jota hoje é presidente do PL, embora a minha relação pessoal com ele seja muito boa e eu inclusive não quero atrapalhar a relação da prefeitura com o governo do estado. Ao contrário já disse a ele que eu faço questão de ser interlocutor porque eu quero o melhor para Maceió. Enquanto ele for prefeito terá de mim uma pessoa para ajudar em tudo que for possível”

Pretende ser candidato a prefeito de Maceió?

“Não pretendo, não pretendo. Não tem sentido porque quando eu quando eu sai da Vice Prefeitura em Maceió para ser vice do Estado, prometi ao governador que estaria ao lado dele ajudando no que for possível. Há novas gerações [na disputa municipal]. Eu já passei dos setenta”.

Olhando agora de fora a gestão do atual prefeito, gestão que o senhor ajudou a eleger, qual a crítica e qual o elogio que ela merece?

“Olha, eu não vou fazer crítica, não acho ético. Quando eu tenho encontrado alguma coisa que pode melhorar, que não está andando correto, eu tenho ido ao prefeito”.

E o que vê que dá certo?

“Ah ele é midiático. Ele é instagramável. Ele é imprevisível. Ele é obstinado. Ele é criativo, tem muita qualidade entendeu? Também pela competência em promover o turismo, embora ele competisse com Renan Filho mas os dois juntos fizeram Maceió um dos melhores destinos do Brasil. Claro que eu tive até essa imagem porque na minha época inaugurei o aeroporto Zumbi dos Palmares mas se não tivesse um cara competente para continuar, não iria adiante. Hoje o prefeito tem tudo isso.

Creio que nestes dois anos restantes o foco será a questão social. E ele tem tentado fazer alguma coisa. Quando você dá a gratuidade na passagem de ônibus, dá a CNH Social, você está melhorando a vida do cidadão. Mas eu acho que é ainda pouco em função do IDH diferente na Ponta Verde e na periferia”

O senhor completa quarenta anos de vida pública em 23. O que é a política?

É a arte de tentar fazer o possível. Para mim foi exatamente isso porque nem tudo a gente tem que ter coragem para fazer a mudança que precisa. É resignação quando não consegue e ter esta compreensão. Mas ter a certeza de ter lutado e buscar às vezes o intermediário. Com quase 40 anos de vida pública você também vai amadurecendo. Até no conceito de valores. Eu defendi o fim dos meios de produção, achava que deviam ser estatizados. Nada privatizado.
Hoje você já tem uma visão diferenciada. Acho que certos setores econômicos só funcionam na mão do setor privado. Agora também critico alguns estados que estão abrindo mão de coisas que são responsabilidade do Estado, questões de segurança inclusive nacional.

SOBRE O AUTOR

..