
Uma campanha desorganizada. Um prefeito que não transfere votos. Um registro de candidatura negado. Não se sabe qual a parte pior da campanha do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT). Em Brasília na terça e quarta feiras (dias 11 e 12), Lessa foi obrigado a saber que a vice-procuradora Regional Eleitoral, Sandra Cureau, negou o registro de sua candidatura. Ele teve ainda encontros com os senadores Fernando Collor (PTB) e Renan Calheiros (PMDB), aumentando as especulações de deixar a campanha para apoiar Collor, em uma tentativa de desestabilizar o deputado federal Rui Palmeira (PSDB).
Isso sem falar na semana passada: uma ação do Ministério Público Federal por superfaturamento.
E junto à maldição, o desespero assombra o ninho lessista. No guia eleitoral de Lessa, citar Rui Palmeira virou obrigação. Falar do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), um mantra. Repetir programas antigos, uma estratégia para reforçar uma mensagem que, no fundo, não diz nada.
Na defesa do prefeito Cícero Almeida (PP), Lessa aposta que o chefe do Executivo na capital transfere votos. Almeida é um “pé frio” eleitoral. Nem elegeu o filho vereador em 2008, na cidade de Marechal Deodoro, nem a irmã deputada estadual em 2010.
No programa de quarta-feira, 12 de setembro, a campanha de Lessa imitou os rumos da disputa em Recife: em queda livre nas pesquisas, o senador Humberto Costa (PT) usa o ex-presidente Lula no vídeo e pediu que ele apareça na capital pernambucana para diminuir a diferença entre ele e o candidato do PSB, Geraldo Júlio, com apoio do governador Eduardo Campos.
Sem Lula, Lessa investe em depoimentos sobre o Bolsa Família- criado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mas consolidado por Lula- e o Brasil Carinhoso- da presidente Dilma Rousseff.
E encerra a campanha na TV com um lema: “A esperança vencerá”. Uma imitação de Lula, na primeira eleição que lhe garantiu a vitória, em resposta aos tucanos: “A esperança vence o medo”.
QG
A chance maior para Lessa é a substituição. E o nome mais cotado é do senador Fernando Collor. O QG dos colloridos aposta nesta solução, mas não acredita que o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, siga os passos.
“O Renan deixa a porta aberta ao governador”, explica uma fonte do lado de Collor.
“Deixar a porta aberta” significa dar espaço para o chefe do Executivo se aproximar. E uma eleição interessa a Renan: a de 2014, quando Vilela é candidato ao Senado. E disputa a vaga hoje de Collor.
Mas, Renan opera com Collor em Brasília- mais exatamente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)- para que o registro de candidatura não vire algo impossível ao ex-governador Lessa.
“Mas, a campanha do Ronaldo não pegou. Na orla, os cavaletes espalhados só têm Rui. Na internet, o Rui domina. Na TV, o guia do Rui é muito melhor que o de Ronaldo, gente mais jovem falando, mais festa, empolgação. A do Ronaldo parece um velório. Além disso, o governador Teotonio está muito próximo do Judiciário e do Ministério Público. Uma relação amistosa”, diz a fonte.
“O Cícero Almeida não transfere votos para ninguém. O Mosart é um vice que ninguém conhece. Quem é Mosart? Ele é quem vai atrair os votos do Cícero?”, pergunta.
Não é diferente para quem está no PT.
“É muito difícil o Ronaldo reverter esta decisão na Justiça. Então, o PT terá de decidir: o que vai fazer?”, pergunta um integrante do Partido dos Trabalhadores. “Não há consenso no PT: o Judson não é consenso. O Paulão [ex-deputado Paulo Fernando dos Santos] não se elegeu a deputado, vai se eleger a prefeito?”, pergunta.
“E o maior problema não é só substituir o Ronaldo. O dinheiro vem para a campanha? Quem vai soltar a grana?”, questiona.
Oficialmente, o advogado de Lessa, Marcelo Brabo Magalhães, acredita que o registro de candidatura será, sim, dado ao ex-governador.
“Enfrentamos, em 2010, um parecer da Procuradoria Regional Eleitoral negando o registro ao Ronaldo e revertemos no TSE. Para nós, a decisão da vice-procuradora Sandra Cureau desta semana não foi surpresa. Vamos reverter”, disse Brabo.
Nesta sexta-feira (14), o Ibope vai mostrar se os ataques a Rui e os efeitos devastadores da negativa do registro da candidatura de Lessa aumentam as chances de Lessa ou enterram o ex-governador na disputa em Maceió.
Do outro lado, nada de Lessa
Já Rui Palmeira sequer cita Ronaldo Lessa. Muito menos Cícero Almeida ou as ações no Ministério Público Federal ou Estadual contra o prefeito. Nem o desvio de R$ 200 milhões da máfia do lixo na Prefeitura da capital. Gastando mais para mostrar uma imagem de político experiente na TV, Rui Palmeira engorda o guia com promessas: maternidades, escolas, hospitais. Um Veículo Leve sobre Trilhos, que não custa menos de R$ 1 bilhão e vai ligar as partes alta e baixa de Maceió.
Os caminhos do VLT fantasma também elegeram Benedito de Lira ao Senado. Hoje, o meio de transporte funciona pela metade. Somente na semana passada, a Companhia de Trens Urbanos (CBTU) abriu o trecho em direção a Rio Largo. Os trilhos de mentirinha rendem votos de verdade.
“As UPAs [Unidades de Pronto Atendimento] já existe verba do Governo Federal. A Prefeitura oferece o terreno”, disse Rui Palmeira, em caminhada na terça-feira, no bairro do Prado.
“O Hospital a gente tem que buscar parceria com o Governo do Estado e Governo Federal. Havendo essa parceria, é totalmente factível e necessário ter um novo hospital em Maceió na região de Tabuleiro. Não é do dia para a noite. A primeira coisa é colocar a casa em ordem. Todas as áreas: a saúde é primordial. Não podemos pensar pequeno de achar que colocando os postos de saúde de hoje vai resolver. Precisa de mais. Vamos buscar recursos em Brasília, BNDES, parceria público -privada: a gente tem que ir atrás do que tiver. A Saúde não funciona. É um descaso total”, diz o candidato tucano.
As promessas podem eleger Rui no primeiro turno. Se o chapão não virar o jogo, antes.









Uma resposta
Não cita Ronaldo, mas tenta impedir o Ronaldo, pq? Se ela ja acha que ta ganho? kkkkkkkkkkkkkkkk. O teu coandidato num ta com nda.