O Ministério Público de Alagoas (MPAL) emitiu parecer favorável à ação civil pública que busca alterar o nome da Avenida Fernandes Lima, em Maceió. O documento, assinado pela promotora Fernanda Maria Moreira de Almeida Lôbo, argumenta que a homenagem ao ex-governador fere princípios constitucionais e perpetua ofensas à dignidade humana, já que ele esteve diretamente ligado a episódios de violência racial e religiosa, como o Quebra de Xangô de 1912.
Segundo o parecer, Fernandes Lima foi um dos líderes da Liga dos Republicanos Combatentes, grupo responsável pela destruição de terreiros de matriz africana e pela perseguição a lideranças espirituais, como a histórica Tia Marcelina. Para o MPAL, manter o nome da avenida é uma “conduta atual e permanente” do Estado, que insiste em preservar uma homenagem considerada inconstitucional e ofensiva à memória coletiva da população negra.
O Ministério Público defende que a mudança atende a tratados internacionais contra a discriminação e representa uma medida de justiça de transição. Como reparação simbólica, apoia a renomeação da via para Avenida Tia Marcelina, substituindo um símbolo de opressão por outro que valoriza a resistência cultural e ancestral de Alagoas.








