Marcos Santos é investigado por outros assassinatos

Foi na década de 90 que Marcos Santos ganhou fama, dinheiro, poder e temor em uma das cidades mais pobres do Brasil:marcos-santos (2) Traipu, no sertão alagoano. E foi no dia 24 de julho de 2013 que o império dele começou a ruir: preso mais uma vez, por agentes da Polícia Civil, em casa e de pijamas, no bairro de Jatiúca. Desta vez, acusado por algo mais grave: assassinato.

Marcos Santos é considerado o autor intelectual da morte do secretário de Turismo e Eventos de Traipu, José Valter Matos Palmeira, o Valtão, em 15 de maio de 2011.

Não é o único assassinato: dois depoimentos- o autor de um deles é mantido em sigilo- mostram detalhes da administração de Santos, invadida pela corrupção e o sangue dos desafetos assassinados. As investigações do MP apontam que os gatilhos das armas dispararam outras vezes, para calar os discordantes.

O depoimento de Erivan Alves dos Santos- que era vigilante da Prefeitura de Traipu- é revelador, segundo as investigações. E mesmo o ex-prefeito sendo acusado em duas dezenas de crimes, este depoimento parece assustar os familiares.

Velha conhecida da carceragem da Polícia Federal- onde passou presa por desviar verba da merenda escolar em uisque 12 anos e ração para cachorro- a esposa dele, Juliana Kummer, usou tons ameaçadores na prisão do marido. “Vamos provar a inocência dele, dando os nomes das pessoas envolvidas nisso. Vocês saberão”.

O filho do ex-prefeito, Marcos Santos Filho, recebia mensagens de solidariedade. E uma característica em comum com o pai: o uso do nome em Deus em vão, para atacar adversários políticos:

“Deus Uma palavra tão peguena . mais com um poder tão grande . Pois é (Deus) esse sim é o nosso advogado o que nos defende das causas mentirosas ,o que nos tira das mão do acusador”, disse um internauta, pelo Facebook.

Na Terra, o advogado de Marcos Santos-pai é nada mais nada menos que Aluisio Lundgren Correa Regis, um dos mais caros e requisitados do Brasil. No curriculo dele, a defesa do ex-juiz João Carlos da Rocha Mattos- da Operação Anaconda.

“É preciso saber o que está acontecendo, porque eu ainda não sei. Foi ele quem desvendou o crime. Entregou as imagens para a polícia, quando ela estava em greve. A prisão é ilegal”, disse o advogado.

Câmeras do circuito interno de Traipu flagraram Erivan Alves dos Santos armando uma tocaia para matar Valtão, como era conhecido o secretário de Turismo. Ao chegar em casa, Valtão abriu o portão, entrou com o carro na garagem e, segundo depois, Erivan entrou no local, atirou e saiu andando normalmente pelas ruas de Traipu. Após o crime, Erivan fugiu para São Paulo, mas foi preso na semana passada. Em depoimento na última segunda-feira, já em Maceió, Erivan confessou o assassinato e acusou o ex-prefeito de ser o autor intelectual do crime.

A morte de secretário pode estar ligada a um depoimento que ele daria à Polícia Federal. Valtão falaria no dia 17 de maio de 2011, mas, dois dias antes, um domingo, data do crime, ele discutiu com a então primeira-dama, Juliana Kummer. Ela teria agredido o secretário e ele “ameaçou contar tudo”. Investigações do Ministério Público Estadual (MPF), ainda em andamento, acreditam que o “tudo” seria um grande esquema de corrupção na cidade.

Acusação

Para confrontar a defesa, o procurador-Geral de Justiça, Sérgio Jucá nomeou 11 promotores para as investigações. Entre eles, Alfredo Gaspar de Mendonça, do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc).

Todos vão auxiliar um dos melhores e mais qualificados quadros do MP Estadual: a promotora Karla Padilha, responsável pela comarca de Traipu.

O trabalho é imediato: uma varredura completa dos tentáculos do ex-prefeito, em Maceió, Traipu e outras cidades do interior alagoano- em especial aquelas que tenham bens de Marcos Santos.

Conhecido como o “barão de Traipu”, Marcos Santos foi afastado do cargo em setembro de 2011, após ter sido preso por denúncias de corrupção. Ele é acusado em, pelo menos, duas dezenas de crimes, pelos ministérios públicos Estadual e Federal e já foi preso cinco vezes pelos agentes da PF. Até uma corrente de 20 metros de comprimento é anexada aos autos das milhares páginas de processos contra Marcos: com ela, o então prefeito controlava o acesso à cidade de Traipu. Os moradores eram vigiados por câmeras instaladas em um circuito interno nas fazendas do ex-prefeito.

Além disso, o ex-prefeito chegou a ser acusado pelo MPF de montar um concurso de fraude de assinaturas na prefeitura. Os secretários que melhor “imitassem” a assinatura de Marcos Santos em notas fiscais frias e licitações fraudadas ganhavam parte do dinheiro desviado.

Em denúncia contra Marcos apresentada em janeiro do ano passado, o MPF disse que “os fatos investigados adquirem relevo ainda maior quando se considera a liderança de um Prefeito Municipal, cujo mister deveria ser o bom trato da coisa pública e o verdadeiro e democrático bem-estar da população, mas que, ao contrário, encontra-se à frente de uma organizada rede de malversação de recursos públicos federais, incluindo o desvio e a apropriação de recursos do Fundeb e do Pnate, falsificação de assinaturas em recibos de pagamentos e notas fiscais, contratos verbais e irregulares para transporte escolar de professores e estudantes, dentre outras condutas tipificadas como graves crimes, listados e enumerados por pessoas diversas, professores da rede municipal de ensino, integrantes e ex-integrantes da gestão municipal”.

Ano passado, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região condenou Marcos Santos a 19 anos, 10 meses e 15 dias de prisão, além de multa de 350 mil reais e perda dos direitos políticos por oito anos. Ainda não é oficialmente ficha suja. O processo precisa esgotar todas as instâncias.

Ele foi condenado pelos crimes de responsabilidade, fraude em licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e quadrilha. Ele recebeu pena de

Também foram condenados Marcos Douglas Medeiros dos Santos, filho do prefeito, Eurípedes Marinho dos Santos (ex-assessor parlamentar da Câmara dos Deputados), Francisco Carlos Albuquerque dos Santos (ex-secretário de administração de Traipu) e Álbson Pimentel Cavalcante (funcionário da Meca Construções e Comércio Ltda.).

Segundo a denúncia do MPF, Marcos Santos comandava uma organização criminosa montada para desviar verbas públicas federais repassadas ao Município de Traipu. Quando exercia o cargo de secretário geral do município, ele criou empresas fictícias em nome de terceiros (os chamados “laranjas”) e manipulava editais de licitação para beneficiá-las. Para fraudar as licitações, contava com a conivência de servidores que atestavam o recebimento e entrega da obra, serviço ou produto que não haviam sido efetivamente realizados. O esquema desviou mais de cinco milhões de reais.

Os esquemas montados pelo ex-prefeito desviaram- ao todo- pelo menos R$ 15 milhões em Traipu. Enquanto isso, os alunos das escolas municipais comiam bolacha com suco em pó dissolvido na água. Santos curtia, com a família, em passeios de lancha pelo rio São Francisco, curtindo o título de “barão”, entregue pelos miseráveis.

Respostas de 3

  1. A SOCIEDADE TRAIPUENSE OU SEJA A MAIORIA PARABENIZA A JUSTICA POR VOLTAR A COLOCAR ESTE DELINGUENTE NA CADEIA NOVAMENTE,AQUI EM TRAIPU TODO MUNDO SABE QUE ESTES OUTROS CRIMES E ATRIBUIDO AO CAPETA MARCOS SANTOS,POIS TIVERAM PROBLEMAS COM O MESMO ,ESPERAMOS QUE A JUSTICA COLOQUE ESTE MARGINAL PARA MOFAR NA CADEIA,TENHO VERGONHA DE UM BANDO DE IDIOTAS QUE AINDA LEVANTA A BANDEIRA PARA ESTE MARGINAL,PARABENS A JUSTICA

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