Tanto a atuação do senador Renan Calheiros quanto o conjunto da obra bolsonarista derrubam o nome de Arthur Lira nas pesquisas ao Senado, pouco menos de um ano antes da eleições. E Lira assiste à presença dos aliados Davi Davino Filho e Alfredo Gaspar de Mendonça despontando num cenário complexo, onde o ex-presidente da Câmara depende mais da palavra de ambos- não disputar o Senado e apoiá-lo- que na traição.
Lira e Renan têm estratégias semelhantes: limpam o cenário de potenciais opositores para se manterem onde estão. Se fosse diferente, não sobreviveriam às mudanças de presidentes da República e de ares em Brasília. Hoje o cenário beneficia Renan. Em 2018, apoiou Maurício Quintella na mesma disputa ao Senado. E Quintella, a pedido de Renan Filho, teve de ser brecado para evitar que Renan ficasse de fora na corrida que tinha, em vantagem, Rodrigo Cunha.
Cunha perdeu para ele mesmo ao longo do tempo. É mais bem posicionado como vice-prefeito, como vemos nas redes sociais. Se as eleições fossem hoje, Renan seria reeleito pela quinta vez. Lira? Não.
Nacionalmente a federação PP-União Brasil registra problemas. Em Alagoas, Lira manda nos dois partidos. O que garante Alfredo Gaspar, do União, disputar apenas a reeleição. Se pensar o contrário, não terá legenda. E, no Brasil, sem legenda, nada de disputar eleição.
Quanto ao Republicanos, de Davi Davino Filho, que tem o governador Tarcísio de Freitas na vitrine, havia uma investida do MDB por uma federação. E isso esfriou. Agora, uma sinalização de Lula que sancionou uma lei do líder do partido em troca do voto a Jorge Messias para o STF.
Ainda assim, Arthur Lira gravita nesta constelação. Difícil o Republicanos local desafiar os poderes do lirismo, poderes que estão em Brasília.
Ao fim e ao cabo, o deputado garante ele mesmo na segunda vaga ao Senado. Tudo pode mudar se JHC resolver deixar dois anos de mandato para arriscar uma eleição- e o rompimento com Arthur. Se tudo pode acontecer? Pode. Ou não.








