O projeto de lei, aprovado pela Câmara de Vereadores de Maceió, que cria incentivos fiscais para a ocupação do bairro Jaraguá, abre um debate na capital: o setor imobiliário pode construir prédios de até quantos pavimentos na área do bairro que não é tombada pelo patrimônio histórico?
A gestão Rui Palmeira nunca negou esse interesse. Desde 2017 busca colocar o assunto no centro da discussão sobre o quê fazer com Jaraguá.
A rua Sá e Albuquerque, por exemplo, é tombada. Lá estão os trapiches, o prédio da Associação Comercial, o banco da família Leão (hoje fechado e abandonado) e a praça Dois Leões com o Museu da Imagem e do Som além de uma joia: a igreja Nossa Senhora Mãe do Povo, mais antiga que a Catedral Metropolitana, cujos livros de batismos contam um pedaço da história alagoana. Livros ainda não pesquisados, diga-se de passagem.
O estacionamento de Jaraguá (em frente à praia da Avenida), é apenas em parte tombado pelo patrimônio histórico.
E o restante? A especulação imobiliária pode construir prédios de altíssimo luxo? E de quantos andares?
Em frente ao cais do Porto está o quê sobrou da histórica favela de Jaraguá, cuja ocupação começou no início do século passado.
Qual será o futuro desta área? Quem vai gerir? As fortunas ou o patrimônio histórico?
Falar de Jaraguá é, também, falar da história alagoana.
A decadência do bairro mostra também nosso grau de civilização.






Uma resposta
A questão é: como ocupar novamente o Jaraguá? A remoção da favela garantiu as condições de segurança almejadas pelos antigos comerciantes do bairro?
Sem a implantação de uso misto no bairro, não se repetirá o abandono já verificado no Centro?