Ignorando os riscos ambientais, a Braskem injetou 50 mil litros de óleo diesel em três poços, segundo o Ministério Público Federal.
A medida estava descrita em relatórios internos da Braskem, coletados pela Polícia Federal na operação Lágrimas de Sal.
O crime é descrito pelo MPF como 18ª conduta fraudulenta, levada adiante pela empresa, que também identificou proximidade entre três poços (18,19, 20 e 21); interligação das cavidades 26 e 20; pequena distância entre o poço 25 e a cavidade 15 (apenas 30 metros); além da injeção de óleo diesel, 50 mil litros, nos poços 29, 30 e 31.
“Não obstante, o RADA confeccionado pela BRASKEM omitiu da avaliação de desempenho ambiental (ADA) da planta de mineração os sobreditos monitoramentos realizados pela companhia e as consectárias medidas mitigadoras recomendadas no tocante ao controle das dimensões das cavidades. Também foi suprimida do RADA a informação acerca da aplicação de 50.000 litros de óleo diesel nos poços e os controles, riscos ambientais e avaliação de impactos dessa medida”, diz o MPF, na ação judicial em que a Braskem, ex-diretores da Braskem e do IMA em Alagoas foram tornados réus.
Diz o MPF na ação que a Braskem mentiu sobre a estabilidade e estrutura das cavidades. Dizia que “as cavernas geradas no interior da camada salina estão sempre cheias, e mesmo após a desativação do poço, permanecem com salmoura”, porém, segundo apuraram as investigações, “diversas cavidades estavam na iminência de perder ou já haviam perdido a laje de topo, ou até mesmo tinham colapsado, comprometendo, portanto, sua capacidade de se manter estanque e estabilizada por meio da pressurização com salmoura. Donde a falsidade da afirmação acima transcrita”.
Também mentiu sobre o monitoramento dos poços por sonar, dizendo ser anual. Além de também mentir sobre a “existência do impacto ambiental da subsidência na superfície, com possibilidade de formação de crateras (sinkholes) decorrentes da atividade de extração de sal-gema por dissolução subterrânea”.
“Efetivamente, a denunciada sabia que diversas cavernas não estavam pressurizadas, havendo vários casos de colapso e migração das cavidades para fora da camada de sal, o que resultava na perda da estanqueidade”





