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Governo distorce pesquisa para justificar R$ 1,5 milhão a festas de luxo

Através da Secretaria de Turismo, o Governo fez declarações em defesa do patrocínio público a cinco réveillons de luxo espalhados em Alagoas. Citou uma pesquisa encomendada pelo Governo e realizada pela Fundepes, fundação ligada à Universidade Federal de Alagoas (UFAL), para justificar o uso de dinheiro público em festas privadas.

Porém, induz os leitores à desinformação ou erros, com interpretação de dados que não são explicitamente mostrados no levantamento. Ou simplesmente são falsos.

Quem é a Fundepes?

Esta pesquisa foi realizada entre 19 e 24 de fevereiro, com 15.794 participantes e aplicação de 1.100 questionários. Margem de confiança: 95%. A Fundepes tem credibilidade reconhecida em todo o país e frequentemente é contratada para realizar concursos públicos e processos seletivos, também para instituições privadas.

Governo distorce

  • O Governo diz que as festas “são um atrativo importante para a vinda de turistas de todas as classes”.

Falso: segundo a Fundepes, a maioria (20%) dos pagantes tem renda média acima de R$ 10 mil e apenas 5,28% ganham de mil a R$ 2.500 e 2,68% até mil reais. Portanto, estas festas estão bem longe de envolver “todas as classes” como o Governo tenta convencer.

  • Governo diz que os frequentadores destes 5 réveillons se hospedam em hotéis.

Informação distorcida/incompleta: Em verdade, a maioria (25,49%) escolhe o Airbnb. O hotel aparece em segundo plano (15,83%).

  • O Governo afirma que os frequentadores destes réveillons “almoçam em restaurantes, comem tapioca na praia, passeiam de jangada” aproveitam as belezas naturais, a gastronomia e os eventos alagoanos.

Informação distorcida/falsa: Nas 64 páginas da pesquisa, nenhum dos entrevistados dá algum dos detalhes acima. Para chegar a esta conclusão, é possível que o Governo tenha usado outra metodologia: a imaginação (área que a Fundepes não atua). Misturou os seguintes dados: 79,5% dos entrevistados responderam que ficam em Alagoas entre 5 e 10 dias; 44,81% vieram a Alagoas apenas para os réveillons; valor média de gastos foi de R$ 9.126,00; R$ 1.397,59 em alimentos; R$ 766,30 em transporte; R$ 4.214,15 em hospedagem.

Juntando estes números, o Governo acredita que os frequentadores das festas de luxo “almoçam em restaurantes, comem tapioca na praia, passeiam de jangada”.

  • Um dado importante: apesar da alta renda dos frequentadores destas festas, a maioria (25,7%) compra os ingressos mais baratos. Apenas 0,54% adquirem os mais caros (acima de R$ 5 mil).

O que o Governo esconde?

Existe uma clausula contratual assinada por todos organizadores destas festas: a obrigação de entregar ingressos, sem custos, para membros do Governo sob o argumento de “fiscalização” da festa. Na prática, não funciona assim. Os fiscais são amigos da gestão que aproveitam eventos exclusivos, regados a dinheiro público, sem necessidade de pagar nada.

Outro ponto que o Governo não informa: o reajuste de 16% no valor total dos patrocínios destes réveillons, passando de R$ 1,250 milhão ano passado para R$ 1,450 milhão em 2024. Não diz o porquê nem o índice utilizado para este reajuste, obrigação em todos os contratos públicos.

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