A proximidade de Célia Rocha, a pressão de Luciano Barbosa em apoiar o filho Lucas Barbosa para a Assembleia Legislativa e o jogo eleitoral que põe o prefeito de Arapiraca no centro de uma possível indicação do vice de JHC para disputar o Governo no próximo ano obrigam a família Nezinho a escolher um lado.
Luciano já avisou que fica até o final do mandato, ou seja, não será candidato em 2026. No dia a dia, o prefeito mostra também não ter a intenção de se afastar da administração, o que abriria espaço para a vice Rute Nezinho. Neste contexto, o vereador Rogério Nezinho votou contra pedido de empréstimo de R$ 150 milhões da Prefeitura com instituições financeiras.
O gesto aprofunda o afastamento dos lados, mas também isola os Nezinho. A família sabe que Arthur Lira e Renan Calheiros fecharam apoio com Luciano Barbosa, assim como o prefeito JHC. Portanto é ainda mais caro liderar a oposição em Arapiraca também porque Luciano foi reeleito com 85,04% dos votos.
Luciano indica que Célia Rocha é quem deve ser sua sucessora em 2028. E atualmente ela é cano eleitoral de Daniel Barbosa, que vai para a reeleição na Câmara Federal.
Por enquanto os Nezinho querem reeleger Ricardo na Assembleia Legislativa mas ainda não sabem se vão apoiar alguém da família para rivalizar com Daniel na briga por uma cadeira em Brasília.
Não se pode ignorar que os Nezinho vêm crescendo.
O vereador Rogerio Nezinho foi novamente o mais votado para a Câmara arapiraquense nas eleições do ano passado como em 2020. Entre 2004 e 2016 ficava em segundo lugar na disputa por votos para o legislativo.
Por outro lado, Célia Rocha e Luciano Barbosa fazem dobradinha na política arapiraquense. Ela se elegeu pela primeira vez em 1996, foi reeleita em 2000, elegeu e reelegeu Luciano Barbosa em 2004 e 2008. Depois, ela voltou a disputar a Prefeitura e venceu (2012).
Luciano Barbosa foi eleito vice-governador em 2014, em chapa encabeçada por Renan Filho (MDB). Rompeu com o governador durante o mandato após operação da Polícia Federal que prendeu a filha Lívia e o genro Pedro Silva. Barbosa creditou aos Calheiros a pouca defesa aos familiares que foram alvo da operação.
A parceria entre Célia e Luciano rendeu dois processos, na justiça eleitoral, apontando que ambos tinham uma união estável, caracterizando terceiro mandato seguido na Prefeitura da cidade.
O primeiro destes processos foi em 2004. O juiz eleitoral João Azevedo Lessa cria na união entre ambos. Quando o processo subiu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o então desembargador do tribunal Humberto Martins derrubou os argumentos e descartou a união. Dois anos depois, em 2006, foi indicado ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em novembro de 2012, novamente o “fantasma” da união estável. Rogério Teofilo acusava que ambos se separaram para simular que vivem em condições diferentes para se configurar terceiro mandato. O juiz Jandir de Barros Carvalho descartou a hipótese.
“No que diz respeito à convivência pública, contínua e duradoura, percebe-se que é aquela de conhecimento de todos que convivem com o casal, que seja notória e não às escondidas, sem interrupções e que dure um tempo razoável, o que não ocorreu no caso em concreto. Ademais, a impugnante não acresceu nenhum fato novo sobre o decidido na eleição de 2004, onde o TRE/AL e o TSE, entenderam não existir união estável entre o casal”, disse o magistrado, na época.





