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Folias e mortes

 

Se ontem foi possível me deixar levar pelo som das marchas de carnaval e apesar das dores ir adiante, cantando e dançando até acabar, hoje não posso deixar de considerar as dores e lamentos dos familiares das 20 vítimas de homicídios deste final de semana alagoano, assim como das 17 vítimas do final de semana passado, e de todos os finais de semana.
Porque conheço o desmoronar do coração que ama e a palidez do rosto incrível diante da desdita fatal. Sei que a preciosa vida que se derrama no meio da rua leva junto a nossa, a vida do familiar, do amigo, do amante e esse momento é confrontado pela frieza da maioria.
Aquele tesouro roubado vira manchete corriqueira, ganha adjetivos de desqualificação, e apesar da dor insepulta persistir no coração, logo a sociedade apaga o sonho e transforma a vítima em culpada, o crime é justificado e a impunidade campeia nestas plagas.
Sim, esses crimes não serão punidos!
Os criminosos já sabiam disso antes de matar. Eles sabem que a família cala, recua abatida e vencida. Eles sabem que os órgãos de segurança pública anunciarão o nome de um investigador e que este não precisará responder nada, porque a sociedade não cobrará.
Restará o sofrimento individualizado, a dor restrita a um círculo, que lutará fervorosamente para continuar ou deixará a depressão ditar o fim da história, como se isso fosse original.
Eis o que conseguimos com a nossa covardia! Covardia social, ampla e irrestrita, oriunda na individualidade personalista, egoísta.
Chegamos ao fundo do poço? Não ainda, certamente o pior sempre pode ser agravado. Principalmente quando a maioria se dispersa, sem perceber que todos corremos o mesmo risco enquanto não formos capazes de denunciar, cobrar, pressionar, exibir publicamente nossa insatisfação com este morticínio semanal.
Aos familiares a solidariedade dessa cidadã que vive a cada dia o aprendizado sobre o valor das vidas e promove a luta aberta contra as políticas da morte.

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