Na história do Brasil a medicina nunca foi popular, e se arvorou nos privilégios das famílias que tinham condições de fazerem dos seus filhos médicos, agregando o status quo que permanece na contemporaneidade, e deslumbra até quem não vem de berço dourado.
Ser médico no Brasil se tornou sinônimo de riqueza, prestígio,pertencer à elite. Ou seja, há imenso descompromisso histórico da maioria dos médicos com a saúde da nação, sendo que muitos nem mesmo conhecem o país e a história real de quem vive nele.
O apoio massivo da categoria médica aos tresloucados atos de Bolsonaro contra os cubanos somente afirmou o quanto não pensam nas pessoas.
Gente que vive em bolha costuma desconsiderar valores do populacho, como as lutas, resistência, territorialidade e sobrevivência .
Após apresentação sucinta do contexto, podemos ir agora para a notícia que merece análise e repúdio: Em São José do Rio Preto, no estado de São Paulo, a Unimed promoveu uma festança para os seus partícipes médicos, mas se utilizou de uma temática no mínimo repugnante, ao representar o cenário de uma favela.
A favela cenográfica da Unimed teve direito até a “gato” na energia, e churrasquinho na laje sendo servido por um homem negro trajado a contento, encaixado no ideal social da burguesia.
Conhecer a história da formação brasileira passa pela história da formação destas comunidades em territórios inóspitos, do lado de fora das oportunidades, sempre em luta pelo reconhecimento da humanidade e cidadania.
Portanto, transformar as dores sociais causadas por uma sociedade desigual, com relações predatórias desde a origem, em tema de festa e causa de riso (como a representação do “gato”) revela o primarismo sociológico e humanitário de uma categoria que caminha capenga pelas linhas da história, haja vista nada conhecer sobre ela.
Médicos conscientes do papel social da profissão estão cada vez mais raros, enquanto o perfil contrário a este ocupa o cenário, que vai sendo preparado para a teia de vícios desde o início da carreira.
Ao Brasil a triste constatação de grave doença moral em sua elite, e aos médicos envolvidos no glamour de uma festa classista, racista e discriminatória nosso repúdio.
A deputada do PSOL Sâmia Bonfim fez a postagem abaixo:
” ABSURDO!
Foi com grande revolta que tomamos conhecimento que na noite desta sexta-feira (6), em São José do Rio Preto, interior de SP, a empresa Unimed promoveu uma luxuosa festa com temática de deboche à vida nas favelas e nas periferias. Como mostra o vídeo, o cenário reproduziu a vida de milhões de brasileiros, vítimas da imensa desigualdade social no nosso país, que é um dos mais injustos do mundo. Enquanto os convidados se deslumbravam com as roupas do ‘barraco’, os ‘gatos’ de quem não consegue pagar a conta de energia, o churrasco na laje servido por um homem negro (como parte das classes dominantes preferem ‘separar’ a sociedade), no outro salão podia-se ver o glamour do país das maravilhas da personagem Alice.
É revoltante que as pessoas não tenham o mínimo de bom senso e empatia ao fazer da vida da maioria da população motivo para chacota. Mais triste ainda é saber que boa parte dos convidados desconhece ou ignora as mazelas de um Brasil que trata tão mal o povo trabalhador. “





Uma resposta
Mandaram ver nessa, bem explicado.