O vice-presidente Hamilton Mourão vai estar em Alagoas amanhã, na sede da Federação das Indústrias.
Os empresários esperam ouvir dele o quê a era Bolsonaro pretende fazer no país. O anfitrião é o presidente da Fiea, José Carlos Lyra.
Um dia antes da visita do vice-presidente, Lyra falou com exclusividade ao blog.
Amazônia? Discurso da ONU por Bolsonaro? Como vai o Governo Federal?
Veja respostas:
O que o setor produtivo espera ouvir do vice-presidente Hamilton Mourão?
José Carlos Lyra – Esperamos que o vice-presidente fale sobre o que o governo pretende fazer. Ele está bem junto do presidente, e é sempre ouvido. Já ouvimos Mourão em outras ocasiões, e nessa palestra ele faz uma análise do governo, quais as perspectivas, como vê as propostas de reforma, qual o alcance das reformas, enfim, como, do lado do governo, vê o país, nesses novos meses. É o que nós, do setor produtivo, esperamos ouvir!
Os jornais mostram que a dívida pública brasileira atingiu 80% do PIB. Há uma discussão sobre reforma tributária, a CCJ do Senado se mexe para aprovar uma reforma da Previdência. Qual análise faz disso? Essa movimentação é suficiente?
José Carlos Lyra – Não se atingiu a dívida pública nesses 9 meses. A dívida pública já estava acumulada desde o governo do PT. No primeiro governo, Lula surfou na onda do desenvolvimento internacional, e no segundo, o mundo começou a entrar em crise, com reflexo, claro, no Brasil. Então, a dívida pública de 80% do PIB é anterior ao atual governo. Para enfrentá-la, temos que fazer as reformas necessárias.
Ontem o Senado começou a aprovar a reforma da Previdência. Temos agora que fazer a reforma tributária, de modo sério, reduzindo o número de impostos, a carga tributária. A gente sabe que isso é muito difícil de acontecer. O governo não tem receita, e não vai querer reduzir carga. Vai querer criar mais impostos! Sonham com a CPMF.
Há no governo quem queira mexer no que dá certo! Querem cortar recursos do Sistema S, uma estrutura que funciona, e cujo valor arrecadado, comparado à dívida pública é uma migalha! O ministro da Fazenda vive buscando meios para arrecadar mais, quer mexer nas entidades sociais, tirar delas os incentivos fiscais.
Porém, não vejo ainda, de forma clara, como vão se livrar dessa dívida.
Na minha visão só tem uma saída, as reforma estruturais. A reforma da Previdência que sair do Congresso, terá uma resposta de médio e longo prazos. Se sair, a reforma Tributária terá efeitos a curto prazo.
Acho que tem que ter também uma reforma política. Numa crise dessas, eles aprovam um aumento da verba de campanha política. A gente não sabe, onde isso vai parar!
Qual sua avaliação destes nove meses do Governo Bolsonaro?
Ainda é cedo para se fazer uma análise. São nove meses apenas!
O presidente já conseguiu aprovar a reforma trabalhista, está aprovando a reforma da previdência, vai lutar para fazer a reforma tributária.
Mas acho que tem que se pensar numa reforma política, reduzir o número de partidos. Já foi feita alguma coisa, como o voto direto no candidato, valendo mais que o voto de coligação. É eleito quem tem mais voto. Foi importante!
Mas tem que mexer mais na Lei Eleitoral, aprovar o voto distrital misto, fazendo com o eleito tenha compromisso nas áreas onde se elegeu. Da forma como é hoje, o deputado se elege por um município, e não faz nada por essa região.
Como tá muito desmantelado, tem muito que se fazer nesse país. Temos nossas expectativas! O presidente Bolsonaro tem algumas posições que pra nós é importante. A questão das invasões de terra. A gente sabe que há abuso! Ele é contra.
Tem que rever a questão das terras indígenas. Ele está atacando pontos que pra nós são fundamentais.
Destaco ainda o discurso que fez na ONU, um discurso de estadista. Ele falou sobre o Brasil que a gente espera. Mostrou, na questão das queimadas na Amazônia, que há muito exagero. Os Estados Unidos e a Europa plantam em 50% de seus territórios, nós plantamos em 16%/18%!
Acho que temem a concorrência de nossa agricultura. Essa é uma área que o presidente Bolsonaro está apoiando fortemente. Há ministros, como Tereza Cristina Corrêa, da Agricultura, que se destacam. Ela tem se mostrado muito competente, defendendo o setor. A quantidade de grãos cresce muito a cada ano, gerando mais divisas para o País.
De todo modo, não há muito mais a comentar, por ser tão pouco tempo. Não podemos querer que o governo faça milagre. É preciso mais tempo!





Uma resposta
Como é bom ouvir o empresariado!