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Eternidade social

Certamente o passado não é exatamente uma página que embotou; uma mancha disforme no livro do tempo. É a seguridade da nossa eternidade na terra. A reprodução e a reelaboração de todas as criações humanas.
Cada individualidade passará, mas seus gestos sedimentarão uma proposta, seja ela qual for. Por essa razão, vale a pena escolher as nossas sementes, o tipo de ideia que legitimamos pela ação, que espalhada no coletivo vinga cultura, costume, tradição.
Para onde migra meu olhar, nas manhãs perdidas de ilusões? Os momentos nos quais o mundo me convence de que sou muito menor do que eu mesma? Os parâmetros são necessários como os botes inflados que salvam vidas. Sem acreditar em nada não tenho valores a semear.
Sem me semear não garanto participação na linha eterna da história humana, mutilo minha renascença.
Inteligência é força para além das bordas mercadológicas de todos os tempos. Energia humana a distinguir o primário que ainda persiste no conflito pela busca da superação, a conquista dos espaços siderais, tecnológicos, infinitesimais; a busca de uma identidade humana por sobre os escombros dos interesses malsinados da longa trajetória de usurpação de direitos.
Mais que as vestes, o pensamento nos diferencia em blocos. Fortaleçamos a humanidade latente, diminuindo os efeitos da baixa-estima na humilhação cotidiana imposta pelo jogo das classes e castas.
Limpemos o olhar. A tela do passado ainda derrama tosca borrasca sobre o entendimento da felicidade, mas o futuro não desiste dela. Movimentemos um presente renovado, ainda que sobre as feridas causadas pela escura tormenta gerada pelo uso irresponsável da força.
Não há maior, ou mais forte. Somos todos donos do tempo enquanto ele não nos escape para outra escala de organização cronológica. Hoje é dia de agir.
Não ao medo, não à morte! Sim ao amor em todas as formas e artes! O passado encontra redenção no hoje modelado pelas nossas mãos.
Hoje sou desvelo sobre a dor que me comove, sobre o mar que enfeita o céu, sobre a firme decisão de continuar, ainda que apenas por amar a desdita de quem tombou sem chorar.

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